domingo, 13 de junho de 2010

Páginas fantasma

Estava a dar uma reportagem na sic acerca da internet e estavam a dizer que existem imensas páginas fantasma de pessoas que já morreram, e que continuam lá porque ninguém sabe a sua palavra-chave. Foi aí que me lembrei que se eu morresse agora ia acontecer o mesmo com o blogue e com o facebook. Ninguém sabe as minhas palavras-chave. E lembrei-me também de uma pessoa muito especial que me fez iniciar este blogue em 2006 (que veio a falecer mais tarde) e cujo blogue ainda está online. De vez em quando ainda vou lá espreitar e choro sempre imenso.

33 comentários:

Roxanne disse...

Todas as páginas começam por um motivo... é a nossa intimidade, a nossa alma, as nossas memórias. quando morremos, parte de nós fica online, porque um dia, fizeram sentido, e ninguem tem coragem de as apagar...

Graça disse...

Este post tem muito a ver comigo. Talvez por não ter descendentes, os meus irmãos sabem que fim dar às minhas coisas caso me aconteça alguma coisa. É algo em que nunca se pensa e quando abordei o assunto o "creeeeeeedo!" e o "Estás parva?" foram os comentários que mais ouvi. A verdade é que não me fez qualquer impressão estar ali a dizer quem fica com o quê. Também sabem o que fazer caso eu não tenha capacidade de decisão...
Quando às palavras-passe, só tenho duas e os meus irmãos sabem quais são. Assim não há necessidade de os meus amigos me manterem ad eternum no msn.
É o lado pratico da vida. No big deal.

Myosotis disse...

Fizeste-me pensar no mesmo. Se eu morrer ninguém tem a palavra-chave do meu espaço... aliás na blogosfera nem sequer ficam a saber o que se passou comigo!!

**Beijinhos**

prada disse...

Não vejo qq problema!Só vai ver quem quer recordar a pessoa .
Até me parece uma forma de homenagem, sem ser necessário ir ao cemitério...
Todos deixamos cá tudo,fotos, cartas ,intimidades e esta forma virtual é apenas mais uma uma!

Olhos de Mel disse...

Curioso mesmo... ainda hoje conversei sobre esse assunto.
Não é fácil falar sobre esse assunto.
Ainda hoje passei na página de uma moça que faleceu na 4feira e a página estava repleta de mensagens, pelo menos o mundo sabe o quanto ela foi importante na vida de cada um. Claro que é arrepiante, "olhar" e sentir que nós partimos mas há marcas nossas que ficam.

Gosto do teu blogue

Cate disse...

Gostei bastante dessa reportagem. Essa parte das páginas de pessoas que já morreram dá mesmo que pensar. Sei de uma ou duas pessoas que infelizmente já se foram e cujas páginas do hi5 e facebook continuam online. É bonito e arrepiante ao mesmo tempo.

Gelatina de morango disse...

Eu já tive o mesmo pensamento. Mais do que em relação ao blogue, em relação às amizades virtuais que já criei inclusivamente do outro lado do oceano e em que o único contacto que temos umas das outras é um e-mail.

Mas, acredites ou não, já tinha pedido ao meu namorado um dia para lhes avisar se me acontecesse alguma coisa. Sou muito pessimista, penso muito nessas coisas...

a Gaja disse...

Eu pensei exactamente o mesmo. Se morrer ninguém cancela o meu pelo mesmo motivo.

harness disse...

um abraço e um carinho (blogosférico) para ti

Teresa disse...

Acontece isso mesmo com os blogues e a página no Facebook do meu amigo Jorge Ferreira, que morreu em Novembro. A namorada e os filhos não sabem as passwords. Os blogues, como tinham moderação de comentários (ele era pessoa destacada na política) devem estar cheios de mensagens de saudade.

No Facebook é pior, é horrível. Se for à minha página reparará que ele está permanentemente nos amigos fixos, não o tiro de lá por nada. Vou de vez em quando à página dele, e apanho fúrias. Há mensagens muito bonitas de alunos da faculdade, que ainda vão lá de vez em quando. Mas o que há mais são coisas parvas como ursinhos queriduchos, garrafas de champanhe e idiotices do Farmville. Há tempos tive uma fúria e fui por ali abaixo a pedir às pessoas que, quando enviam os presentes virtuais idiotas ou mensagens colectivas, tenham mais respeito e se lembrem de que ele já não é deste mundo. Eu Não mando presentes virtuais, mas tenho imenso cuidado ao enviar mensagens generalizadas. Nunca para o meu querido Jorge.

Ice Cream disse...

Ficamos para sempre na blogosfera

Philipa C. disse...

Não assisti à reportagem, mas já tinha pensado nisso.
Conheci um rapaz na escola mas que veio a morrer mais tarde, e ele tinha Hi5. Ninguém o apagou, nunca soube se foi por não saberem a password ou por que razão foi.
No entanto também o vejo como uma homenagem, e sempre que vejo o seu Hi5 lembro-me da excelente pessoa que ele era. *

Narizinho Lunático disse...

Esta é apenas uma das vertentes frias da Internet... Os nossos conhecidos (seja do blog, do facebook, do hi5, etc.) morrem e nós não fazemos ideia que tal tenha acontecido... Por vezes penso nisso... Se eu morrer agora, o blog e afins, iriam permanecer "eternamente"... Ninguém saberia a minha palavra-passe. Ninguém, desse lado, saberia o que tinha acontecido com a Narizinho. Isto é tudo muito triste!!

kika disse...

Curiosamente pensei o mesmo quando vi a reportagem. Especialmente porque tenho dois queridos conhecidos que faleceram há um mês, e os seus facebook's tornaram-se um muro de homenagem, onde cada um dos seus amigos, conhecidos e familiares pode expressar os seus sentimentos, tristezas, saudade e dor. Onde podem homenagiar publicamente as excelentes pessoas que eles eram, e como foi trágico e tão injusto o que aconteceu com eles. Mas para mim, é sempre uma imensa tristeza quando me deparo com a imagem deles ali, num espaço público, de acesso livre, sabendo que infelizmente eles já não estão entre nós, e mais que isso, que existem pessoas que tomam conhecimento do facto através deste mesmo meio online. É doloroso. Mas é algo que ficará sempre ali, eternizando a sua memória.

Filipa. disse...

tive um amigo que era bastante doente. esse meu amigo deixou-nos as passes das suas contas de hi5 e blog para que os apagassemos quando falecesse, como se sentisse que estava para breve (e de facto, estava)! assim fizemos, mas bastante nos doeu, tinhamos 16 anos, e ele 17, não foi justo! foi como se ele continuasse "vivo" se estivesse online! mas seguimos a sua vontade, apesar de doloroso, teve que ser (:
(este é o lado bom da blogosfera. poder partilhar algo com desconhecidos, sem tabus, e deitar para fora as magoas (:)

Tulipa Negra disse...

Eu não vi essa reportagem, mas agora fiquei a pensar no assunto. Acho que vou escrever as minhas passwords num lugar seguro, mas onde tenho a certeza que serão encontradas se me acontecer alguma coisa. Pelo menos, para alguém poder informar os outros do que me aconteceu.

Rita Maria disse...

Há algum tempo criaram um serviço justamente para essa situaçao. É uma espécie de site para testamentos electrónicos onde podes guardar as passwords dos teus perfis online e especificar o que queres que aconteça com eles.

Mas eu, confesso, ainda nao fui lá preencher, por isso nao sei como funciona depois. Se quiseres procuro o link!

Filipa disse...

Estou a passar pelo mesmo. Um amigo meu e do meu marido faleceu há 2 semanas. O facebook dele tornou-se um lugar onde se deixam mensagens de saudade. Mas custa-nos tanto ver a fotografia dele por ali. Todos os dias.

salgados disse...

Falecem, faleceram, faleceu... não é mais interessante escrever que 'morrem', que 'morreram', que 'morreu'...

Para quê isso do falecem?

Não é da morte que se trata?

Kitty Fane disse...

salgados, hoje acordou mal disposto ou é impressão minha? Está a apetecer-lhe implicar com tudo, não? E se eu quiser usar "falecer", algum problema nisso?

Luís disse...

"Testamento" electrónico
http://www.deathswitch.com/
manda um mail de 30 em 30 dias para verificar se estamos vivos, senão respondermos manda um mail para uma pessoa à escolha.

Prezado disse...

as minhas passwords? só se as deixasse em testamento. tenho tanta coisa online...

Um grande professor meu morreu ha uns anos. durante algum tempo fui lá em jeito de homenagem, assim como outros que deixaram centenas de comentários. Ainda hoje o blog está aberto, os comentários vão sempre aumentando. É um mausoléu, no fundo.

Sara. disse...

Eu ainda tenho gravado na lista telefónica o número de telemóvel de um amigo que faleceu. E não faço intenções de o apagar.
Não sei porquê, não me apetece.

A miuda dos saltos altos disse...

Em 2008 a minha Madrinha faleceu e nós eramos as pessoas mais próximas que lidavamos diariamente com a internet, então escrevemos uma mensagem aos criadores do Hi5 para a conta dela ser apagada!
Ela também tinha um blogue e durante alguns meses eu ia lá todos os dias ler os textos fantásticos que ela escrevia só que depois o blogue também foi apagado e eu tenho muita pena, pois era mais uma ligação que tinha com ela...

Precis Almana disse...

Por outro lado, e os escritores e actores e etc. que já morreram, cujos livros continuamos a ler e cujos filmes continuamos a ver? Eu já tive um blogue que continua na Internet, embora eu não tenha morrido. E agora tenho este que há-de acabar mesmo que eu não morra e eu não me parece que o vá apagar... até morrer.
Quanto ao facebook, não me pronuncio; agora que penso nisso, mais uma razão para não ter.

Joana Pleno disse...

Em relação a esse "testamento online", eu nao sei como isso funciona, mas sera que isso nao e so mais uma artimanha para roubar as passwords ao pessoal ? Nao cabe na cabeça de ninguem arranjarem um assunto tao triste para conseguir as passwords mas todos sabemos que hoje em dia ha pessoas capazes de tudo. tambem acho que é triste as pessoas que nos seguem durante anos nos nossos blogs ou paginas pessoas nao ficarem a saber do que nos aconteceu, mas eu prefiro nao confiar nesses sites.

Teresa disse...

O comentário da Joana Pleno acertou em cheio naquilo em que pensei imediatamente quando li a referência ao tal site. Não sendo a mais desconfiada das criaturas... mesmo assim não confiaria as minhas passwords a uma coisa tão impessoal como um site.

Voltando ao assunto em discussão: quem tem Facebook e vai lá com regularidade sabe como as coisas funcionam. De vez em quando, ao abrir aquilo, aparece-me na coluna da direita o retrato do Jorge Ferreira, o meu amigo que morreu, e a amável sugestão do FB para que eu lhe mande uma mensagem, que já não contactamos há algum tempo. Enorme suspiro. Até tenho um print screen guardado, tanta impressão aquilo me faz.
No Facebook podemos fixar (o limite são 12) os amigos que queremos ter sempre à vista na nossa página. O Jorge é uma delas, e lá continuará enquanto eu andar por lá.

Por último, Kitty, o Salgados não estava mal disposto, creio. Só discordo da adjectivação dele, de ser mais interessante dizer que alguém morreu, em vez de dizer que faleceu. Não é que seja mais interessante, é outra coisa.
Não leve a mal, Kitty, não levem a mal as outras pessoas. Acham que é mais suave, eu sei. Na verdade não é. É apenas piroso. Falecer em vez de morrer é como dizer vivenda em vez de moradia, mala em vez de carteira, esposo em vez de marido, prenda em vez de presente. É piroso, pronto. Não se diz. Lamento lamentar.

A minha amiga TCL teve há muito tempo um post divertido sobre o assunto:
http://falabarata.blogspot.com/2007/11/piroseiras.html

Kitty Fane disse...

Teresa, o comentário em relação ao salgados surgiu, tendo em conta que o rapaz(ou rapariga, não sei)deixou dois comentários bem azedos seguidos aqui no blogue. Não se deveu só a este. Pelo que eu deduzi que tinha acordado mal disposto. :-)

Teresa disse...

Ah! Aí já me calo. Como só leio os comentários nos posts que eu própria comento... não tinha dado por isso. Sorry. :((

salgados disse...

Olha que engraçado o Salgados como tema de conversa :)

Kitty Fane, ontem não acordei mal disposto nem considero o meu comentário azedo. Apenas achei 'triste' o seu cometário (fútil) anterior. A kitty Fane podia ter-se abstido de emitir juízos de valor sobre alguém que não conhece. Acho triste ler esse tipo de coisa num 'blogue' com tantos milhares de acessos. Foi só isso, e nada mais. Azedos, foram os comentários das suas seguidoras, mas isso já é de esperar...
Já por várias vezes comentei o seu 'blogue' e por norma até faço comentários engraçadinhos (e meio parvos, eu sei).

A Teresa descreveu na perfeição onde é que o 'Salgados' quis chegar com a história do faleceu e do morreu. Thank you, Teresa :)

Kitty Fane disse...

salgados, bandeira branca hasteada. :-)

salgados disse...

Aceite :)

Divirta-se

Filipa disse...

A eterna teoria das palavras pirosas "tira-me do sério"...