sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Do vício das compras


Yuliana Dementyeva in “Take Me With You” fotografada por Lee Broomfield para a Elle UK, maio 2012

Até ao dia em que o meu Amor e a minha Princesinha irromperam na minha vida, eu era uma compradora compulsiva. Comprava, comprava, comprava. Posso dizer que comprava roupa e afins todas as semanas e acumulei tralha que não lembra a ninguém. Como todos os viciados em compras, eu acho que tentava compensar a falta de algo na minha vida com aquelas coisas. Achava sempre que ficaria mais feliz se tivesse a mala x ou os sapatos y, mas depois trazia-os para casa e ficava feliz, sim, mas durante pouco tempo. Não tardava começava logo a imaginar que se tivesse a mala w ainda ficava mais. E a minha vida de consumista era essa.

Quando adotei a Princesinha e ela veio para a minha casa de solteira, onde ainda hoje passamos alguns dias, transformei o meu quarto de arrumação no quarto dela e foi aí que me vi ao espelho e morri de vergonha. Foi aí que me caíu a ficha e percebi ao que eu tinha chegado. Na altura de arrumar alguns roupeiros, dei de caras com imensas coisas ainda com a etiqueta do preço, coisas que eu nunca tinha usado, portanto. A Princesinha tinha tido uma vida de privações e eu tinha comprado coisas que nem sequer tinha usado. Morri de vergonha. E ainda hoje fico doente quando penso nisso.

Neste momento continuo a gostar imenso de fazer compras, mas longe dos tempos de loucura. Já não sinto aquela necessidade quase doentia de comprar só por comprar e, por isso, não caio em exageros nem ando lá perto. Penso muito bem antes de comprar alguma coisa e compro o mínimo de coisas possível. E é tão bom. Acabo por dar muito mais valor ao que tenho e não compro coisas desnecessárias.

11 comentários:

Heriwen disse...

Que texto bonito!
É tal e qual como descreves. Consumismo é sinónimo, quase sempre, de carências.

Embora ainda não tenha encontrado um amor dessa dimensão, também faço um esforço por pensar duas vezes antes de comprar. É preciso resistir à manipulação doentia da publicidade e da tristeza, e redefinir prioridades.

Madame Teles disse...

É impressionante como uma criança muda as nossas prioridades e sem nos apercebermos. É o tal do amor incondicional:)

Green disse...

Eu nunca tive essa veia consumista, mas por um lado entendo que fosse um escape para ti.

Colour my life disse...

Também já tive alturas assim, embora seja ciclo e de breve duração. Tenho um mês ou outro por ano em que compro imenso e dá-me sempre a sensação de que não tenho nada. Enfim. Deve ter algo a ver com carência emocional.

Dee Tsukino disse...

:)

A Vida da Cinderela de Saltos Altos disse...

Houve uma altura na minha vida, em que também precisava de comprar tudo e mais alguma coisa, mesmo que não fosse verdadeiramente necessária. Felizmente esses tempos pertencem ao passado.

A Bomboca Mais Gostosa disse...

percebo, tenho de ser mais assim também. E acho que é realmente por ciclos.

Anónima disse...

Tal como a Green também nunca foi assim consumista.
Também onde é que está o dinheiro para isso?! lol Algum dinheirinho que sobre aplico em poupanças para o futuro. Não tenho filhos, mas sempre pensei que precisava de poupar para quando eles chegassem. Mas cada pessoa age de maneira diferente. E entendo a algumas pessoas dê alguma satisfação as compras, mas acho que nunca liguei muito a isso.

Jo disse...

Ainda bem que isso mudou ;)

luarte disse...

Sem dúvida que a compulsividade é sempre sinal de outros males, normalmente sinónimo de carências emocionais e afetivas.
Gostei muito deste texto.
Beijinho

Paulo Nunes disse...

eu sou o oposto! quando vou ao closet, mexo na roupa e dá-me vontade de a deitar fora de tão velha que está! :) mas não tenho paciência para compras!
Olha... dá-me algumas peças.. pode ser que me fiquem bem :P