segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Vamos ajudar os leitores # 1


Lilly Allen

A primeira leitora, devidamente identificada, expõe o seguinte:

"Eu não quero ter filhos, não me quero casar. Mudei de país com alguém para construirmos algo melhor juntos. Ele não tem grande experiência em relações amorosas, e eu já tive o meu coração estraçalhado uma vez. E nunca mais voltou a ser o mesmo. Mas enfim, sobrevive-se!

Bom, mas o cerne da questão aqui reside no facto de eu não querer ter filhos, não querer casar. Sempre o deixei bem claro à pessoa que está comigo e estamos a pensar separar-nos pois ele quer ter filhos daqui a uns 5 anos. Não sei, eu não sinto essa necessidade. A gravidez por si só dá-me arrepios. O parto então, nem se fala. Considero “ter” filhos se adoptar ou através de uma barriga de aluguer. Ele não quer sequer pensar nessa solução. E diz-me que se eu não quero mesmo de todo ter filhos, é melhor não construirmos mais nada daqui para a frente. Já desde miúda que tenho esta perspectiva (ele chama-lhe panca) e sinceramente não me vejo mudar. É qualquer coisa dentro de mim que está virada para outro lado.

Continuando, eu sempre lhe disse que estes dois acontecimentos não correspondem a elementos que, de todo, definem o que é para mim a felicidade ou que farão de mim uma pessoa mais completa. Ele diz-me para eu amadurecer a ideia. Eu disse-lhe que não me vejo com filhos, nem agora nem nos próximos 10 anos. No entanto, em primeiro lugar não lhe posso prometer coisas que não sei se serei capaz de cumprir, e em segundo a vida dá muitas voltas. Eu posso ter esta ideia há já diversos anos, no entando, depois de atingir outros objectivos pessoais, como carreira profissional, viagens entre outros, talvez o relógio dê sinal. Mas é algo que não sei. Não posso prever o futuro.

Simplesmente há mulheres que não nasceram com relógio biológico. E eu, muito provavelmente, sou uma delas. Não tenho medo de o dizer quando me perguntam, pois não penso que haja nada de errado com a minha perspectiva. O que me faz feliz a mim, não será de todo o que faz a Kitty feliz, ou outra pessoa qualquer. Esta coisa da coacção social dá comigo em doida. Ainda mais quando as pessoas me querem fazer acreditar que eu estou completamente errada na minha escolha.


Sei que tudo isto pode levantar uma série de questões, como:
- Se ele não quer ficar comigo é porque não me ama de verdade.
- Se eu não quero ter filhos com ele (pelo menos da forma “natural”) é porque não o amo.


Entre outros. Mas pondo tudo isto de lado. Eu não sou menos humana porque não vejo no casamento e na maternidade uma realização para a vida. Eu não estou errada. Eu sei que não estou. So que, por vezes, aqui num pais estranho e com poucas amizades próximas fico a dúvidar um pouco da minha sanidade mental e a dúvidar de mim mesma, daí a razão de lhe enviar este email."


Vamos lá todos ajudá-la, respeitando e não condenando a sua vontade.

43 comentários:

N disse...

The point: A sério que vale a pena acabar uma coisa agora por um objectivo para daqui a 5 anos?
E se daqui a 5 anos ele já não quiser ter filhos?
E se daqui a 5 anos ela já quiser?
Se calhar vão vivendo felizes para sempre até lá e quem sabe se não mais.
As pessoas vivem muito por antecipação.

I. disse...

Não, a leitora não é anormal. Isto vem de alguém que não tem relógio biológico, pelo que vale o que vale. Há mulheres que simplesmente não se realizam através da maternidade, ou sequer anseiam por ela.

Visto isto, se ele quer muito ter filhos e rejeita a hipótese de adoptar (ou outra via), há um desiquilíbrio entre o que cada um espera da relação e da sua evolução. A leitora até pode vir a mudar de ideias, mas convém que isso aconteça naturalmente, e não por pressão. Ficar com ele significa que a leitora nunca saberá se acedeu a engravidar por pressão ou vontade própria.

Tal como ele não lhe pode exigir que mude, também a leitora não o deverá exigir. E se já agora o tema suscita desentendimento, não tende a melhorar com o tempo.

Cada um é como cada qual. Há homens que também não desejam ter filhos. Um deles poderá estar guardado para si.

(isto é só uma opinião. no meu passado, e no âmbito de uma relação, tentei engravidar e felizmente não consegui. Mais tarde percebi que o ia fazer pelas razões erradas, e poderia ter sido muito, muito mau trazer uma criança ao mundo nessas circunstâncias)

Ana 100 Sentidos disse...

Acho perfeitamente aceitável e normal alguém não querer ter filhos. A ideia não me choca. Não acho que haja probelma nenhum nisso.
Mas se quando duas pessoas têm ideias tão distintas nesse assunto, acho honestamente que não vale a pena investir na relação. Mais tarde ou mais cedo vai dar-se a ruptura. E não é por questões de não se amar o outro. É porque devemos sempre amarmo-nos a nós próprios primeiro e não fazer alguma coisa que não queremos só porque amamos outra pessoa.

rosaamarela disse...

Minha querida está no seu direito de fazer da sua vida o que quiser, a sua vida é SUA !!!

Eu tive uma filha “a pedido”, toda a minha vida foi uma luta contra o convencionado, e continua a ser, a minha filha herdou tudo o pior que o pai tem, depois que a vi pela 1ª tudo o que tinha para lhe dar DEI !!! Hoje em troca recebo ingratidão e desrespeito já senti muito orgulho nela, hoje não, afinal tudo o que ela é fui eu que lho dei lutando contra o convencionalismo e o impossível isto é monetariamente, perdendo amizades, pondo o emprego em risco, continuo a lutar contra o convencionado porque não escondo o nosso mau entendimento para lhe chamar de alguma maneira, voltava atrás e fazia tudo ao contrário? NÃO! Voltava fazer tudo o que fiz.

Vida de Gorda disse...

All in favor.
Compreendo-a a perfeitamente. Entendo tudo que disse. Sublinho tudo. Essa coisa da coacção social é mesmo fodida.

Quanto a conselhos: é ficar com o gajo. O meu gajo tb me dizia que nao valia a pena tarmos juntos se eu nao quisesse ter filhos. E olha eu pensei k nao keria, e agora ja nem estamos juntos mas ate ja me vejo a kerer. Como ela disse o mundo da mts voltas e se a relaçao é boa, acabar para ke por causa disso? Naaaa....

Paulo disse...

A "1ª leitora" está longe de ter uma atitude anormal, se normal é seguir a carneirada da sociedade só para parecer bem, que se dane, a sua FELICIDADE está primeiro, se não gostar de si ou for a sua melhor amiga, como poderá gostar dos outros?

Sinta-se bem consigo própria em 1º lugar, oiça o seu coração e siga a sua intuição feminina quando tiver que tomar decisões. Tem todo o direito de ser feliz, se algum dia houver ruptura na relação actual por causa de assunto relacionado com "o relógio biológico", é porque o seu caminho para a felicidade não passa mais por essa relação. Desejo-lhe força e confiança em si *_*

Abraço e óptima semana ^^

Womae disse...

antes de mais bom dia

Não me parece que haja grande diferença entre engravidar e adoptar \ barriga de aluguer. O receiro, aqui, parece-me prender-se em questões esteticas ou mitos criados á volta desta situação. devo dizer por experie^ncia própria que nunca fui dada a pensar em ser mãe e nunca tive grande vontade mas engravidei e até pensei em tirar, resolvi pelo contrário e não podia estar mais feliz. muda-nos a vida, tira-nos a liberdade e as nossas prioridades são as dele, mas isso tambem vai acontecer com uma filho adoptado. Acho a questão do receio não deve interferir (ou se quer ter ou não- adoptados ou proprios), cada muilher tem a sua experiencia de gravidez e de parto mas é algo que passa mesmo muito rápido. recuperei a linha num mês (ate estou mais magra) e as dores de parto já não me lembrava delas 5 min depois dele nascer. O querer ou não querer prende-se com a responsabilidade que temos daí para a frente e não com o processo. Se não te importas com a responsabilidade o processo ainda mesmo te deveria incomodar..
Bjos e felicidades
Rita G.

Su disse...

Eu não tenho paciência para esse discurso do "agora não queres ter filhos, mas se ficasses grávida já mudavas de opinião". Que coisa? E se não mudar de opinião? E se ficar grávida e, quando a criança começar a mexer dentro dela, sentir repulsa e pânico em vez de ternura? Vai conseguir aguentar meses e meses com um ser dentro dela que só lhe dá repulsa?
Eu tenho a mesma sensação que a leitora da carta. Também não quero ter filhos, uma gravidez assusta-me e, caso mude de opinião em relação aos filhos, provavelmente adoptava. É a primeira vez que oiço esta visão de outra pessoa.
Eu acabava com a relação. Porque se percebo a posição dela, também percebo a dele. E se é importante para ele ter filhos, de facto mais vale procurar alguem que tenha o mesmo projecto de vida. Uma coisa é ir namorando. Outra coisa é chegar aquele momento da vida em que se quer construir algo em comum. E se há pouca coisa em comum para construir, mais vale não avançar. Daqui a cinco anos têm a relação destroçada e culpam-se um ao outro pelo tempo perdido.

Capitão Microondas disse...

my 2 cents.

Se de facto sempre deixou claro não querer ter filhos não há muito que lhe apontar. No entanto, como alguém refere e bem, o que hoje é verdade amanhã é mentira. Já testemunhei casos de mulheres que em dada altura tinham tanta vontade de parir quanto eu e que passado uns anos acordaram para o tema como quem não comia nada há 15 anos. O melhor, em tudo o que envolve relações (e no fundo na vida em geral) é não ter grandes certezas absolutas e trabalhar com o hoje e o curto prazo.

Penso que as duas leituras finais são ambas despropositadas: nem a leitora deixa de amar o homem em causa apenas por não querer ter filhos nem ele a ama menos por sentir que eventualmente esse objectivo é suficientemente forte para partir em busca do mesmo. São coisas diferentes, embora por vezes misturadas.

O tema pode sim ser um bom termómetro do amor actual pois se de facto em qualquer um dos intervenientes (ou mesmo os dois) surgir um problema actual face a algo que apenas pode ser questão no futuro isso poderá querer dizer que um (ou os dois) está com vontade de ir à procura de outra coisa e isso deve ser compreendido e discutido, na minha opinião. Mesmo que como diz a N o problema só o seja dentro de 5 anos, o mais provável é que um ou os dois comecem a sentir "estou a perder tempo pois quero outra coisa" e quando isso se instala o melhor é enfrentar, sobretudo se de facto existe um sentimento que vale a pena.

Silvia disse...

Claro que tem relógio biológico. Mas aqui a questão parece-me outra. Não se trata de não querer ter filhos. Não quando diz que tudo bem se for via adopção ou barriga de aluguer. Portanto não percebo muito bem em que ficamos. Se é um veemente "não quero ter filhos!!" ou um "ah, ok, não sendo eu a pari-los, bora prá frente". Há que primeiro perceber isto porque são coisas muito diferentes. Há que ir bem ao fundo da questão, dissecar a coisa. Uma vez percebido o "quê" e o "porquê" chegamos mais facilmente à solução. Eu acho que todas passamos pela fase de uma certa repulsa ao parto em si, principalmente na adolescência. E aí todas juramos a pés juntos "filhos jamais!!deusmalivre". Até que um belo dia, muito mais tarde o relógio desperta e tudo muda. Pode acontecer que alguns relógios acordem mais tarde e tudo é natural. Pode não ser normal de acordo com a sociedade. Mas é natural.

alexandra disse...

Têm ambos objectivos diferentes.
No início é provável que ele não se tenha importando, a paixão fala mais alto e tenha pensado que mais cedo ou mais tarde ela quereria ser mãe e esposa.

Dizer para ficar com ou sem o companheiro acho que não deve sequer ser discutido em público. Aqui ninguém conhece nem um nem outro, se um é mais moldável ou não, etc etc..

A própria é que conhecerá melhor as qualidades boas e más do seu companheiro e terá que ser a própria a pensar se valerá continuar a investir ou não.

Carla disse...

Há uma coisa que será importante esclarecer, se a leitora considera “ter” filhos adoptando ou através de uma barriga de aluguer então aqui a questão não é ela não querer ter mas sim apenas não querer passar pelo processo da gravidez e parto. Acho que é o que deverá resolver primeiro dentro dela.
De qualquer forma se no final continuar sem vontade de assumir esse projecto de vida penso que não deverá continuar com algém que tem um objectivo oposto. Por mais que custe e seja um decisão difícil de tomar será o mais justo para ambos.

prada disse...

Penso que a lealdade tem de funcionar aqui, ou mais dia menos dia arrependem-se.
Constatarão que perderam tempo que por vezes é irrecuperável!
É dificil tomar decisões quando se ama, mas amar se calhar tambem é ceder, não sei.
O que sei é que a verdade tem de estar no topo, e não tentem enganar-se mutuamente!
Não resulta!

Palavras Estúpidas disse...

Sim, há pessoas que não desejam ter filhos. E concordo que não é nada de anormal.

Mas o que não entendi foi se afinal não quer mesmo ter filhos ou se quer ter mas sem ter de passar pelo parto?!

De qualquer forma acho que não vale a pena continuar juntos se não têm os mesmo projectos de vida.
As pessoas mudam,é verdade, mas mais tarde iria ser pior.

gralha disse...

Resposta rápida: não há nada de errado com a leitora, só com a relação. Uma relação em que há objectivos contraditórios não faz muito sentido. Na adolescência é romântico, na vida adulta é utópico. Partam para outra.

Helena Barreta disse...

O querer ou não casar, o querer ou não ter filhos, o ter objectivos na vida e querer conquistá-los, são assuntos tão pessoais e íntimos, que me parece, e salvo melhor opinião, só ao casal diz respeito.

A única coisa que me permito dizer-lhe é que a vida dá muitas voltas e o tempo não anda para trás. Se está à vontade com as suas certezas e se não tem dúvidas não tem que se sentir mal por isso. Tenha coragem e seja feliz.

Um beijinho

Crente disse...

O futuro é incerto. O presente é agora. Se têm uma boa relação, é continuar que está bem. E daqui por 5 anos? Quando lá chegarem, vê-se. Há tanto que pode acontecer nos entretantos...

Patita disse...

Eu tenho 35 anos de idade e desde que me conheço que nunca tive vontade de ter filhos, até porque o meu espirito maternal e a paciencia para as crianças é nula. Isso a mim não me diz absolutamente nada! Sempre pensei assim e não me vejo a mudar de ideias, apesar de socialmente ser algo inaceitável, ainda nos dias de hoje. É incrível o preconceito que ainda existe por este tipo de atitudes. Eu acho que o comentário mais soft que até agora recebi foi: és uma egoista. Enfim...
Antes de me casar deixei bem claro ao meu marido a minha opinião. ele queria ter filhos mas não era algo preemente por isso nunca interferiu na nossa relação. O tempo foi passando e hoje ele nem sequer pensa nisso.
Porque estragar uma relação por causa disso? Ninguem consegue prever o futuro. Durante 5 anos muita coisa pode acontecer. Um ou os dois podem mudar de ideias, ou até o mundo pode acabar lol.
Isto já vai longo... a minha opinião é não se deixar influenciar por aquilo que os outros dizem e manter-se fiel aos seus principios...
bjs

Mami disse...

Amanhã pode não ser verdade o que hoje é incontestável.
Amanhã podemos fazer algo que pensamos nunca fazer nesta vida.
Amanhã podemos nunca realizar algo planejado uma vida inteira.
Amanhã os objectivos que hoje não são idênticos podem ser os mesmos.
Amanhã podemos não estar cá para continuar a história.
Acho que não se deve sentir pressionada nem pressionar para que a outra opinião mude também.
A questão é se estas incompatibilidades poderão afectar somente o amanhã ou se já afectam o presente...

Muito boa sorte!

rosaamarela disse...

Capitão-Microondas!

Mt obg, pela sua opinião digamos masculina.

txticulos disse...

Qualquer argumentação ficará refém de generalizações ou particularizações perpendiculares, ainda assim se genuinamante a opção de não ter filhos é aceitável e defensável a sociedade suspeita desta anorexia reprodutiva, ora a vê como aversão à responsabilidade ora como aversão à culpa(de vir a desiludir o filho). Pode até ser falso o consenso que corre mas existe e não mudará tão depressa, de que as mães são mais pontuais e cumpridoras, melhores negociadoras, definem melhor os objectivos e prioridades, são menos auto-centradas, menos passivas. Ou como ouvi uma vez, "depois de ter uma filha a vomitar-me no ombro a caminho das urgências, não há emergência que me preocupe".

Qualquer que seja o tema, raramente uma relação sobrevive à teimosia, a expectativas irealistas e a ressentimentos.

claudia disse...

Eu sempre disse,desde que me fui começando a conhecer como mulher,que não está obrigatoriamente auto-instituído na sociedade (embora a própria nos queira fazer entender o oposto) que nós,mulheres,tenhamos á força toda,de nesta passagem pela vida,"casar e ter filhos".
Eu sempre fui vincadamente adversa ás duas coisas.
Obviamente que nunca me opús a quem o faz,a título de sonho de vida,de realização pessoal...a todos os níveis.Só me oponho a quem contesta e acima de tudo não respeita quem tem sentimentos e desejos contrários ao senso comum.
Mas,clichés á parte,o certo é que a vida pode mesmo a dada altura,pregar-nos uma grande partida.
No ano passado em Fevereiro,saí com uma pessoa,tornámo-nos inseparáveis e em Junho casámos,na praia.Ele nunca se quis casar; eu também não.
No entanto,foi,até então,o mais inesquecivel dos dias e mesmo que alguma vez o tivesse sonhado,jamais teria sido tão perfeito em sonhos,quanto o foi na realidade.
Ele sempre sonhou sim...em ter filhos e na altura,eu em nada escondi o meu pensamento e desejo de sempre...a tal "lacuna de chamamento maternal".
Pouco importava,o AMOR quando chega,não impõe regras...tudo o resto deixar-se-ia fluir.
E é o que,volvido 1 ano,tem acontecido.
E admito,contra mim falo,que dou pelo meu pensamento absorto,tantas e tantas vezes,em como seria bom materializar este amor,com um SER vindo de nós os dois.
Agora digo..."quem sabe?"
A minha própria mãe admite que nunca passou pelos seus maiores desejos,ter um filho.Teve-me a mim e diz-me que sou definitivamente a coisa mais preciosa que teve na vida.
A leitora não está errada e nem o estará se permanecer durante a vida toda com esse conceito de vida,porque muito provávelmente também eu o teria,sempre...até que um dia aparece "a pessoa" que nos ama e respeita com todos os nossos pensamentos que nos são tão vincados e o resto...acontece.
Afinal de contas,"o amor é um lugar estranho"...

martuxa disse...

Tenho para mim, que mais cedo ou mais tarde ele encontrará outra mulher que terá esse desejo cúmplice de serem pais biológicos.
O resto é fácil de prever.

O desejo, a paixão, a novidade é muito linda no início e pode até camuflar as nossas vontades em detrimento do outro, mas é impossível viver-se contrariado para sempre.

Mas acho uma perfeita estupidez dizerem à leitora que está errada na sua escolha. Acho até que é bastante sensata. Se não tem essa vontade não tem que seguir a carneiragem da sociedade.

Uma Rapariga disse...

Como eu a compreendo...custou-me admitir a mim mesma recentemente, que não tenho nenhuma ânsia de ser mãe, embora o meu relógio biológico, devesse provavelmente, estar aos berros, mas o que é certo é que eu não o ouço...

Ana disse...

Daqui fala alguém que teve o relógio biológico a funcionar desde muito cedo, que concretizou o sonho de ser mãe há quase 2 anos.
Fala uma pessoa que tem dificuldade em perceber como pode não haver relógio biológico, mas apenas porque levou com o seu relógio bomba a funcionar anos e anos...
Mas fala também alguém que respeita e admira quem, numa sociedade cheia de preconceitos e falsas moralidades, acusa quem tem a honestidade de dizer o que quer e o que não quer, em vez de dizer o que os outros acham que se deve dizer ou ser.
Na verdade quantas pessoas têm filhos só para dizer que os têm. Para se juntarem à tal sociedade em que é obrigatório ter filhos e ter um casamento dito normal????
Que viva a sua vida, sendo feliz em cada dia, ao lado de quem a fizer feliz e tentando sempre dar também felicidade aos outros.

GATA disse...

Eu desde (quase) sempre que digo que não quero casar e ter filhos, e até agora nada nem ninguém me fez mudar de ideias! Certamente encontrará alguém que partilhe o seu 'ideal'... :-)

seni disse...

Eu tenho uma questão: como é que não se tem relógio biológico para uma gravidez/parto mas se tem relógio (biológico ou não) para ponderar adoptar ou recorrer a uma barriga de aluguer?

A longo prazo, qq uma das escolhas não teria como fim um filho para a leitora?

Narizinho Lunático disse...

5 anos é muito tempo. Em 5 anos muita coisa pode mudar. Por isso, parece-me que o cerne da questão não é o facto dele querer ter filhos (daqui por 5 anos) e a leitora não querer. O importante neste assunto é vocês os dois perceberem se têm, ou não, algo em comum. Será que só discordam no aspecto "filhos"? E não será isso a ponta de um iceberg de grandes diferenças entre vocês? A sabedoria popular diz que os opostos atraiem-se. Mas, para uma relação dar bons frutos, é necessário haver alguns pontos em comum, apesar de todas as diferenças que possam existir. Tentem perceber se têm apenas algumas divergências, possíveis de ultrapassar. Ou se estas são fortes o suficiente para não vos permitir construir algo em comum. Mas, lanço uma pergunta: será possível um casal construir uma relação sólida e duradoura se existem prespectivas de vida tão distintas? Julgo que o único caminho a seguirem é a voz do vosso coração.

unintended disse...

Terminar uma relação que vos fez mudar tanto a vossa vida por algo que se quer daqui a 5 anos?? O que se construiu até agora não vale nada para ele?
Também detesto esta coacção social, esta necessidade que têm de dizer às pessoas o que elas têm de fazer quando têm uma certa idade ou quando atingem certo patamar...

Tamborim disse...

Esta minha humilde opinião formou-se um dia, através de uma grande amiga, e coloco-a em forma de pergunta: se as pessoas se amam, ainda que uma delas queira muito ter filhos, será que não queria era ter filhos COM A PESSOA QUE AMA? Ou seja, a ideia de: esta não quer hei-de encontrar uma que queira parece-me que embaratece um pouco a questão do amor sentido pelas partes. Por outro lado, com o tempo, como já foi dito, talvez quem não queira ter filhos acabe por ter vontade de os ter COM A PESSOA QUE AMA. Ou não, claro. Será que um plano de vida, mesmo que seja o da paternidade/maternidade, merece a eliminação de um amor que já foi concebido, nasceu e cresceu?
Foi o meu contributo para o consultório coração de Miss Kitty Fane:)

Carla disse...

Tenho 35 anos e sou quase que marginalizada socialmente por não querer ter filhos e não querer casar, o meu namorado vai partilhando as minhas ideias sem se ralar muito (por enquanto), mas em termos de amizades sinto-me sozinha nesta minha maneira de pensar. A minha mãe não me diz nada mas fica triste com a situação; o ginecologista diz me que está na hora e quando lhe faço aquela cara e lhe digo que não quero ter filhos ele faz tb aquela cara disfarçada de reprovação;o meu irmão e cunhada dizem que vou ficar para tia e vou ser uma chata que eles têm que aturar. Sempre me lembro de pensar assim, mas se no tempo da universidade dava jeito aos meus pais eu pensar assim (porque jamais correria o risco de uma gravidez com tantos cuidados que tinha) agora causo tristeza às pessoas, o que é triste para mim. O parto repugna-me, não acho que seja uma coisa bonita ou agradável, a gravidez é mais no sentido de ser mt preocupante e cansativo não conseguir saber ao certo a todo o momento se ta tudo bem, e acompanhar o crescimento de crianças não é digno de ninguem que trabalha a tempo inteiro e entra cedo e sai tarde. E as preocupações são tantas que nunca mais ia ter paz de espirito. Sou demasiado preocupada, quereria ser eu a criar a minha cria e não os jardins escolas, amas e professores e afins!!! E sinceramente, em tempos, sempre que as minhas gatas pariam os seus filhotes era aflitivo para mim, detestava e achava que ninguem merecia aquilo, muito menos eu!!! só gostava de puder conversar com mais pessoas que pensam como eu, porque sinto-me sozinha nestes pensamentos, e ouço coisas que não quero, como ser cobarde e infantil, etc etc

Lena disse...

Cara Carla
Estou solidária...não tenho 35 mas caminho para os 32 e sou casada, pelo que os telefonemas de aniversário deixaram de ser: "parabéns! que tenhas um dia feliz!" para passarem a ser: "Parabéns! então? quando é tens um filhote?".
Pois que não sei se se trata de relógio biológico ou não mas eu não tenho vontadinha nenhuma de ter filhos, nem próprios nem adoptados. Egoista ou não, a verdade é que não me apetece abdicar da minha liberdade, quero poder sair qdo me apetece sem pensar onde vou deixar a criança; quero poder gastar o dinheiro que eu e o meu marido ganhamos com viagens e outras coisas que nos dão prazer e não com o colégio da criança; não me apetece passar noites no hospital; limpar rabinhos fofinhos; aturar gritarias... talvez o dia chegue.Mas ainda não chegou e pode nem chegar. E era bom que a sociedade deixasse de pressionar. Só não o sinto ainda mto porque as minhas amigas ainda não têm filhos tb. Mas mais um aninho e começa tudo a parir, e aí já sei que vou "sofrer" ainda mais pressões. Felicidades!

quica disse...

Eu sou daquelas pessoas que nunca soube se queria ser mãe ou não. Nunca foi um sonho de menina ter, nem não ter. Durante bastante tempo dizia que não iria ter, que era incapaz de passar poruma gravidez, não pelo medo do parto mas pela gravidez em si. Também pensava se seria uma pessoa responsável o suficiente para ter um filho. Enfim, a questão maternidade biológica ou adoptiva pesava-me no medo e no pânico.
Os namorados que eu tive, todos quiseram ter um filho comigo, eu nunca quis mas isso também não foi impeditivo.
Hoje tenho um filho de 20 meses. Uma delicia. Uma coisa impressionante. Um amor, uma paciência, um tudo sem tamanho. Engravidei não por pressão, mas confesso que foi pensado numa semana eheheh. Acabou o periodo e "ah e tal e se engravidassemos?" "bora lá". E assim foi. Comecei logo a stressar, mas engravidei à 1ª, por isso não tive hipotese :)
O que senti nessa altura foi um misto de tudo, e um medo incalculável. Não gostei nada de estar grávida, como já previa. O parto foi maravilhoso. Mas ser mãe não é estar grávida, embora o que me impeça muito de ter outro é precisamente a gravidez.
Compreendo perfeitamente quem não quer/sente a vontade de ter filhos. A minha irmã não quer, nunca quis. Para mim é tão natural como querer.
Acho é que cada pessoa deve procurar em si própria se não quer MESMO ou se é apenas medo.
Quanto a terminar uma relação por causa disso, é bem provavel que isso aconteça, já que os desejos não se completam. Ele deve sentir que não quer investir numa relação onde o desejo de ambos anda tão afastado. Não o critico. Tudo pode mudar, mas quando entramos numa relação, queremos construi-la tendo em perspectiva um futuro, seja ele qual for.
Mas NUNCA pedir a outra pessoa para ter um filho ou pior, não levar a sério esta vontade de não ser mãe. É que não é a mesma coisa que pedir para fazer bacalhau com natas para o jantar!

Bj

Ninixe disse...

Após ler o post em questão e os vários comentários que por aqui aparecem vejo que afinal, também não estou sozinha - a maternidade não me chama, não me apela, nunca me disse nada - em miúda não gostava de brincar com nenucos, nunca me seduziram os bebés e hoje não me passa nem de perto, nem de longe a ideia de ter filhos pela cabeça!
Como é óbvio nestas (e noutras)coisas nunca se pode dizer nunca mas a verdade é que encarar tal responsabilidade não pode ser feito contra vontade - ou se quer, se deseja, se está disposto a tudo ou.. infelizmente acaba por acontecer como acontece a muitas crianças que têm pais e mães apenas 'no papel' mas que nunca chegam a sentir o verdadeiro laço que deveria existir em tal relação.
Apesar de não me rever no papel de mãe, acho o mesmo deve ser tido muito a sério, deve ser para a vida e não apenas para ficar bonito nas fotos deixando as ditas crianças ao cuidado de terceiros.
Concluindo - pensa, reflecte e nunca tomes uma decisão de tal peso de ânimo leve, muito menos para agradar a outros.
Um beijinho!

maria disse...

Eu não acho nada anormal! Eu tenho 48 anos, nunca quis ter filhos e não tive. Nunca me arrependi e o meu relógio biológico nunca deu sinal.Agora, que os outros acham estranho, lá isso acham. É preciso alguma estaleca para aguentar os olhares de piedade (coitada, esta não conseguiu arranjar ninguém que a quisesse...)e as pressões sobretudo da família e conhecidos.

Boa sorte

Daniela disse...

A verdade é que ambos possuem uma opinião diferente sobre algo que poderá determinar o futuro da relação. Enquanto um quer ter um filho, a leitora mostra medo e receio, até mesmo recusa em fazê-lo. Quando amamos alguém e queremos estar com essa pessoa, acima de tudo temos de respeitar o seu espaço e o seu tempo, sem pressas nem pressões. Se a leitora não consegue imaginar-se neste preciso momento a ter um filho, acho que o seu companheiro deveria respeitar a sua decisão, uma vez que ter um filho só está nos seus planos daqui a 5 anos. E quem não sabe se até lá a leitora não muda de ideias? Existem tantos exemplos de pessoas que conseguiram mudar de opinião acerca de determinado assunto devido a um acontecimento ou até mesmo a uma forma diferente de ver as coisas!
Acho que acima de tudo deveriam pensar em vocês, na vossa relação, naquilo que construíram e pensam construir e arranjar uma forma de conseguir estar juntos e fazer uma vida em conjunto mesmo tendo perspectivas tão contrárias acerca do vosso futuro, uma vez que esse depende directamente do presente, e se este for bem construído, não haverá um futuro ideal ou quase ideal para os dois?
Basta esforço e espírito de sacrifício de ambas as partes.

Daniela disse...

A verdade é que ambos possuem uma opinião diferente sobre algo que poderá determinar o futuro da relação. Enquanto um quer ter um filho, a leitora mostra medo e receio, até mesmo recusa em fazê-lo. Quando amamos alguém e queremos estar com essa pessoa, acima de tudo temos de respeitar o seu espaço e o seu tempo, sem pressas nem pressões. Se a leitora não consegue imaginar-se neste preciso momento a ter um filho, acho que o seu companheiro deveria respeitar a sua decisão, uma vez que ter um filho só está nos seus planos daqui a 5 anos. E quem não sabe se até lá a leitora não muda de ideias? Existem tantos exemplos de pessoas que conseguiram mudar de opinião acerca de determinado assunto devido a um acontecimento ou até mesmo a uma forma diferente de ver as coisas!
Acho que acima de tudo deveriam pensar em vocês, na vossa relação, naquilo que construíram e pensam construir e arranjar uma forma de conseguir estar juntos e fazer uma vida em conjunto mesmo tendo perspectivas tão contrárias acerca do vosso futuro, uma vez que esse depende directamente do presente, e se este for bem construído, não haverá um futuro ideal ou quase ideal para os dois?
Basta esforço e espírito de sacrifício de ambas as partes.

SweetHeart disse...

O futuro é incerto. Você pode mudar, e seu parceiro também pode. Há um tempo atrás eu também não queria ter filhos, na verdade odiava a idéia. Até pedia a Deus para que caso eu engravidasse, que Ele me levasse no parto. Mas a mudança veio naturalmente. Ainda não tenho filhos, mas pretendo formar uma família sim. A cada dia que passa mais a idéia amadurece na minha cabeça, naturalmente. Creio que toda mulher tem o "dom materno", a gente só demora a saber onde ele está escondido. Mas no momento certo ele aflora. Tenho muito medo do parto também, é desesperador. Mas pensar que você está passando por esta etapa para "salvar" uma vida é uma maneira + sublime d ver o momento. Na hora tudo se resolve. Sobre casamento, também acho que tudo tem a sua hora. Talvez algum trauma, tristeza ou mágoa t atrapalhe um pouco em confiar no matrimônio. Quando você se entregar verdadeiramente ao amor e decidir lutar pelo seu relacionamento custe o que custar, a vontade vem e ele será prioridade em sua vida. Sucesso e paz!

Istari disse...

É perfeitamente normal não se querer ter filhos. Felizmente nem todos nos sentimos validados com os mesmos objectivos!

Se não pretendemos ter uma criança, não se deve fazê-lo só para se "salvar" a relação, até porque quando há problemas com a vinda de uma criança estes não são resolvidos. Pelo contrário! Por vezes são exacerbados e quem sofre é só o bebé que veio ao mundo não por ser desejado, mas por desespero de causa.

Se não quer ter filhos, não os tenha por pressão dos pares! Aliás, hoje em dia o que se vê mais são crianças despeitadas pelos pais que as têm só porque as familias fazem pressão para nascer um bebé. E depois os filhos são criados pelos avós, quando não estão em casa dos avós estão num ATL ou infantário o máximo de tempo possível e em casa, quando as crianças pedem atenção só ouvem um: CHIU!Não vês que estou a ver televisão?!
Conheço vários casos assim. E se para algumas pessoas ter filhos é isto, mais vale não os ter não é?


Se daqui a uns anos largos, mudares de opinião, tens. Se mantiveres a mesma não tenhas porque te pedem. Uma criança deve vir ao mundo porque é desejada e amada ainda antes de nascer!!

mantem-te firme nas tuas opiniões! não mudes só porque achas que parece mal aos outros.

rosaamarela disse...

Já falei de mim e agora vou falar da minha amiga melhor amiga e colega com a qual trabalho desde sempre.

A minha amiga já estava casada há 6anos sem filhos qdo eu fui mãe solteira, apoiou-me em TUDO com o que isso significava para a época, em segredo sem ninguem saber incluindo eu começou a consultar médicos, a fazer tratamentos, praticar sexo de várias madeiras, (até aquele de uma perna na cama e outra em cima do guarda-vestidos) enfim até que acercou no médico e no tratamento, BEM LONGE de casa com o implicava em gastos de deslocações;

Já se tinham passado 14 anos de casamento, e mais os treinos, nasceu o Dioginho, rapaz experto, adolescenciam sem problemas, o melhor aluno da escola dele, ontem "entrou" onde queria.

A minha amiga é uma óptima mãe, e boa educadora, enfim o rapaz aos meus olhos só tem qualidades...

BOM DIA!

Loira disse...

Nâo vejo qual o problema... não somos todos iguais, não queremos todos as mesmas coisas. A pessoa em questão foi sempre sincera.. sempre disse que não queria ter filhos. È uma opção tão válida como outra qualquer.
No entanto, eu acabaria com a relação se sentisse que, para a outra pessoa, fosse mesmo importante ter filhos.

The Love Coach disse...

Excelente iniciativa Kitty, estás uma Mulher muito bonita. É cada vez mais delicioso ler-te e sentir-te.

Paz,

The Love Coach

Paulo Nunes disse...

O problema começou logo mal.
Não se devia ter começado a relação.. são objectivos diferentes de vida e quando assim é... mais cedo ou mais tarde está o caldo entornado! mesmo que as pessoas gostem uma da outra com o passar dos anos.. e com "conflito" por resolver, a relação vai acabar mal.
Eu nunca estaria com uma pessoa que não quisesse ter filhos.. mesmo que gostasse dela. Deixei bem claro no inicio à minha mulher que queria ter filhos e se houvesse mudança de planos dela... a relação estaria em causa! são coisas que não se podem arrastar...ou sim ou soupas! esperar que uma pessoa mude nesse campo... é altamente improvavel.
Ninguem é obrigado a ter filhos...o que é obrigatório é a pessoa pensar bem antes de se meter numa relação com pessoas que pensam de maneira diferente.
Beijinhos