quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Padre que fugiu por amor


Richard Chamberlain e Rachel Ward em "Pássaros Feridos"

Eu achei fofinha e querida aquela história do padre apaixonado que fugiu com a outra moça. Gabei-lhe a coragem. O nosso país está cheio de padres que rezam missas durante o dia e durante a noite saltam muros para estar com os seus amores. Eu conheço um. Portanto, ele podia continuar a fazê-lo. Mas não. Decidiu fugir, sabe-se lá para onde, para começar tudo de novo. Não sem antes pedir a mão da moça aos pais e ainda enviar uma carta ao bispo a informar da sua decisão.

No fundo, no fundo, até senti uma pontinha de inveja deles. Inveja por terem a coragem que eu nunca tive de largar tudo e ir viver um amor sem pensar no dia de amanhã. Por sempre achar que, ao fim de duas semanas, mais coisa menos coisa, me fartava daquilo e voltava à minha vida antiga com o rabinho entre as pernas. Sim, que isso do vivermos só um para o outro sem mais nada nem ninguém, foi ideia que nunca me atraíu. O amor é lindo e eu gosto, mas preciso também das minhas gentes ali ao lado.

20 comentários:

Anônimo disse...

e porque não vem ele viver contigo? largar tudo e vir ele? isso era de homem mas se calhar pensa o mesmo que tu e assim será complicado

Kitty Fane disse...

Anónimo, em parte nenhuma me estou a referir a uma situação minha actual.:-)

blogdatanga disse...

Arriscar. A questão está mesmo aí.
Apaixonar-se e ir viver com a outra pessoa a começar do zero. Não foi o que fizeram tantas gerações? agora precisamos do quê? casa montada com o plasma xpto topo de gama? lua-de-mel nas Maldivas? Sem isso é arriscar? Ou estamos a falar de sentimentos? isso não é arriscar é viver.

Carrie disse...

De facto, é bonito... esse tipo de amor! Mas também não servia para mim.. preciso de equilibrio na minha vida e isso não significa viver só para uma pessoa mas para todas aquelas que significam alguma coisa na minha vida e a tornam mais completa :)

Kiss kiss

Clara disse...

o meu padrinho de baptismo era padre e largou para casar com a minha tia (conheceram-se num colégio católico onde ambos davam aulas). são casados há 40 anos e felizes (até acho que é dos melhores casamentos que conheço).

um dos homens mais interessantes que conheci até hoje também era [mais ou menos] padre. lamentavelmente n largou nada para casar comigo [suspiro].

Precis Almana disse...

É bonito sim senhor. Mais do que bonito, é real. E devia haver mais para se repensar o casamento dos padres. É que não há meio de perceber qual é o conflito entre o casamento das gentes da igreja e ser-se da mesma.

Anônimo disse...

Também achei essa história super fofinha...

Quanto à tua, entendo os teus receios...

Claudia

Anônimo disse...

Ora finalmente uma senhora com os pés assentes na Terra!!!
Só gostaria de saber se Ms Kitty Fane pensou sempre assim ou se, à semelhança de muitas outras senhoras, precisou de dar umas valentes cabeçadas pelo caminho...
Dia Feliz!
R

maria 3a disse...

o meu avo era padre quando conheceu a minha avó. em 26 anos de vida nunca conheci melhor pessoa que ele, e sei que devia estar loucamente apaixonado para deixar o sacerdócio, para o qual tinha estudado desde crianca, para casar com ela. eles casaram, mas a igreja excomungou-os e a família da minha avó deixou de falar com ela; devem ter achado que iriam ambos para o inferno - ele por ter abandonado a vida de "santo" e ela por o ter "obrigado" a isso. anos depois tanto a igreja como a família os perdoaram porque tiveram que se render à evidencia de que nao era simplesmente um capricho, e eles casaram pela igreja e viveram felizes para sempre. até há um ano atrás, quando morreram com 1 mes e meio de diferenca entre eles.

a mim essas histórias comovem-me muito. associo sempre a um amor tao grande que foi contra tudo e todos, e nunca consigo ver nada de errado nelas.

Rubi disse...

Adorei esta serie, e o livro que a inspira, li-o e tenho de voltar a ler. Sim, um grande amor e muito bom mas nao se vive so de amor. Acho que o largar tudo e partir depende da fase da vida em que nos encontramos. Se estamos numa fase moribunda, sem interesse, em que nada acontece, e se acreditamos nesse amor, porque nao?!!

Pocahontas na Cidade disse...

O mais engraçado de tudo é que Pedro (discípulo de Jesus Cristo), também foi casado, durante a sua vida ao serviço de Deus!

Deus não proibe o casamento... A igreja católica é que meteu na cabeça das pessoas que só é possível servir Deus sendo solteiro..

Mas gostei do padre fugir :D

prada disse...

Teoricamente gostei do que disse blogdatanga, mas eu não seria capaz.
Preciso de segurança, embora ache linda, uma história assim!

CF disse...

Tb sou assim. Ainda não descobri se ganho, se perco...

hierra disse...

Tb achei a história inspiradora :)

Mais um homem... disse...

Tudo o que se faz por amor é sempre lindo e fica abençoado.

# Gabriela disse...

Soube dessa notícia hoje :)
- e cá para nós, eu também não aprecio muito essas fugas loucas e apimentadas de amor. (fartava-me, sem dúvida).

Anônimo disse...

Eu sou bisneta de um padre e mesmo na minha família pouca gente sabe disto...

S* disse...

Um amor arrebatador? quero!

MissBlueEyes disse...

Kitty Fane, a estas atitudes, a do padre, a minha, e a da América Profunda e tantas outras, chamamos viver! Na vida se não arriscarmos a vida passa-nos ao lado. Kitty, Eu já deixei tudo, trabalho, amigos e família, por uma paixão que ao fim de 4 meses, não deu em nada, e lá estava a minha Mãe de braços abertos para me receber, se me arrependo ter mudado de cidade, e estar a 300km de todos os que amo? NÃO, NADINHA, fazia tudo de volta, mesmo Ele sendo o maior "putanheiro" que alguma vez conheci.

E por um grande AMOR, que é de facto o Amor da minha vida, voltei a fazer o mesmo, mas no trabalho foi só pedir transfernência para Lisboa. Sou feliz, tenho a pessoa que sempre desejei, e vai fazer dois anos... :) E um dia, se por algum motivo, a relação chegar ao fim, terei a certeza que não desperdicei a oportunidade de amar e ser amada. Terei a certeza que este foi sem dúvida o grande amor da minha vida! Terei a certeza que valeu a pena arriscar, mesmo que tenha tido um ponto final. Se vivemos dificuldades? Sim vivemos. Se já choramos muito um no ombro do outro? Sim choramos. Se nos divertimos imenso? Sim divertimos. Se somos felizes? Sim, somos imensamente felizes!

Kitty a vida é assim mesmo, bater com a cabeça na parede, e não deixar que esta nos passe ao lado! Temos que arriscar para sermos felizes!

Felicidades!

Mary disse...

que livro maravilhoso! (eu sei que o meu comentário não tem muito a ver com o conteúdo do post mas não consegui evitar)