quinta-feira, 11 de julho de 2013

Das médias dos exames nacionais

Se eu estivesse fora do ensino, se eu não conhecesse de perto o nível de dificuldade dos exames nacionais, se eu não conhecesse os seus rigorosos critérios de correção, se eu não conhecesse inúmeros miúdos que têm médias de dezanove e de vinte, tremendamente inteligentes e empenhados, que leem imenso, que escrevem lindamente, que põem  muito doutorado a um canto, e que, com todo o esforço e toda a dedicação, dificilmente tiram notas superiores a quinze nos exames (como é que  alunos medianos e fracos não hão-de tirar negativa?), também me espantava com a miséria de médias dos exames nacionais e também apelidava toda esta geração de burra e preguiçosa. Como isso não acontece, fico apenas incrédula com o facto de equipas que não conhecem a realidade das escolas, dos alunos e, muitas vezes, dos programas, continuarem a insistir em fazer enunciados ridículos. Isso, sim,  é uma vergonha.

17 comentários:

O Sexo e a Idade disse...

O rapaz aqui de casa que lê este mundo e o outro e escreve que é um primor (baba de mãe a escorrer pelas beiças) ficou desolado com o 12 que apanhou; ninguém lhe tira da cabeça ir à 2ª fase para conseguir uma nota melhor.
Eu nem sei o que lhe diga; se deve ir ou não...

Chainho disse...

Infelizmente, como professora, há duas coisas que já me recuso a falar com amigos não-professores: as horas de trabalho semanal de um professor e o grau de dificuldade dos exames... porque eles é que trabalham mesmo à séria e porque no "nosso tempo" é que os exames eram difíceis... oh, please...

stantans disse...

as coisas estão mesmo diferentes do meu tempo, há uns dez anos atrás. nessa altura os exames nacionais não eram nada difíceis

Rosa Cueca disse...

Com esta altura de instabilidade, então na classe de professores, acham mesmo coincidência os resultados serem estes?
Acham que o exame seria necessariamente fácil? Quanto piores as notas dos alunos forem, mais "provas" factuais terão para criticar e cortar no Ensino.
De qualquer forma, há um mínimo de preparação que um aluno deve ter para passar num Exame Nacional, seja ele difícil ou não. Não estamos a falar em ter uma boa nota, é em garantir um mínimo e isso, desculpem, com esforço, consegue-se. Até porque têm muitas ferramentas por onde estudar e exames nacionais passados por onde estudar. A matéria é vasta, mas é exequível, não é ciência aero-espacial.
Já os critérios de correcção e alguns enunciados, são muitas vezes mal feitos, o que é de lamentar, quando os erros vêm de raiz e os alunos saem prejudicados, mas já era assim há vários anos...tirando ali um interregno em que "fazia sentido" ter uma data de alunos com entrada facilitada na universidade, a contribuir para os números e para as proprinas e em que os exames nacionais roçavam a anedota.

Nadinha de Importante disse...

O que dizes e em parte verdade. Os exames são desfasados da realidade,mas existe muitos alunos fracos, que sempre foram passando por causa das percentagens e depois nao tem capacidade para realizar este tipo de provas.

Ângela Ferreira de Sousa disse...

Não poderia concordar mais contigo. Haja alguém a perceber os alunos!

Andreia Gonçalves disse...

Obrigada por teres publicado isto :)

Unknown disse...

o problema talvez não seja o facto de os enunciados serem ridículos, alguns podem ser mas a maioria é acessível. ridículo são os critérios que de tão simples que parecem, são aplicados da forma mais absurda possível. mas isto penso eu, uma boa aluna que fez exame de português de onde saiu muito confiante e teve 12...
É o resultado de exames corrigidos à pressa segundo critérios impossíveis

Sofia disse...

A Kitty é professora do 1.º ciclo, não é? Se trabalhasse no ensino secundário, provavelmente, teria outra opinião. Muitos dos alunos que chegam ao 12.º ano têm um nível fraco e, obviamente, não têm bons resultados nos exames. Os excelentes alunos não costumam atrapalhar-se perante um exame nacional.

PS: Estou a falar de alunos, e especificamente da disciplina de Português, e não de adolescentes ou jovens que conhecemos noutros contextos e que nos parecem (e certamente serão) muito inteligentes.

Ana disse...

Essa do "que põem muito doutorado a um canto" carecia de exemplificação (conheces assim taaaaaaaaantos doutorados que sejam tããããão piores que esses tãããããão bons que conheces? Gostaria de saber, sinceramente, porque para um doutorado se doutorar passa por um júri de muitas pessoas e te garanto que a escrever mal é que não vai lá mesmo).

Agnes disse...

Tenho visto os exames nacionais dos últimos anos (em geral, só os de 12º) e acho sinceramente que antes é que eles não estavam bem. Mais um bocado e só faltava darem bónus por escreverem bem o nome e preencherem correctamente o enunciado! Fiz exames em 2005 e se tirar 20 não era dado, a verdade é que tirar boa nota (e o meu conceito de boa nota era exigente) não era o fim do mundo. Agora concordo, isso sim, que os critérios não são nem eram os melhores. Sem falsos moralismos e "no meu tempo é que era" tenho que dizer que o secundário não é difícil. Pode dar trabalho, a uns mais do que outros, para aprender e dominar os conceitos, mas não é um bicho de 7 cabeças. E sim, na altura pensava o mesmo. Queria só acrescentar que concordo com o comentário acima que diz que as pessoas podem ser inteligentes, sim, mas isso não faz delas automaticamente bons alunos (e vice versa). Acho que às vezes se confundem ambas.

Revolução disse...

Engraçado como um post tão bem feito, tão verdadeiro e completamente de acordo com a realidade, porque, sim, a blogger conhece melhor a vida escolar do que muitos dos seus leitores, possa incomodar e dar "comichão" a tanta gente. Enfim.
Parabéns pelo post.

Dani disse...

Sou aluna do 12 ano e fiz três exames: Português, Matemática e Biologia. Fiquei completamente chocado quando fui ver os resultados. Alunos que foram com mais de 15 às várias disciplinas e que tiraram um 3/4/5.
Felizmente apenas me faltava passar a matemática e consegui. No entanto, fiquei muito desiludida com Português. Pensei que teria um 16 ou um 17 e na pauta apanhei um 13. De qualquer forma, tendo em conta o panorama geral até nem estive mal.

Agnes, o secundário não é difícil, a maior parte dos exames é que são ridículos. Teve a 'sorte' de ter feito a prova num ano em que bastava saber fazer 2+2. Se fosse hoje, talvez não conseguisse entrar no curso que gostaria. Se querem aumentar o nível de exigência nos exames, terão de o fazer gradualmente e qualificar melhor certos professores.

Agnes disse...

Hesitei em continuar os comentários neste post, mas não quero que quem leia fique com a ideia de que os exames de 2005 eram só somar 2+2. O de matemática foi considerado um dos mais complicados da época, se é que essa "classificação" vale de alguma coisa (os meus professores sempre fizeram questão de fazer testes difíceis de forma que, para nós, o exame era o teste mais fácil do ano, acho que foi aí que residiu a minha verdadeira "sorte" e não tanto no ano dos meus exames). Aliás, lembro-me de na altura resolver exames anteriores e notar-se claramente uma maior dificuldade em exames mais antigos de tal forma que estava-se a caminhar a passos largos para uma facilitação do nível exigido. Foi aí que quis chegar com o meu comentário anterior. De resto, vai sempre haver opiniões diferentes acerca do que é ou não fácil, do que é ou não acessível e a minha é só uma delas. Se calhar tenho a minha visão distorcida pelo nível que me era exigido na escola (isto sem qualquer tipo de intenção de ser "a maior da aldeia"), não digo que não. E pronto, era só isto queria dizer aqui, não quero de forma alguma entrar em discussão nem fazer um ranking de dificuldade dos exames ;)

(Ps-obrigada, Kitty)

Cátia Soares * disse...

Tão verdade! Já para não falar que os critérios dos examess são idiotas! Mesmo se um aluno escrever uma resposta sem erros, mas se já não tiver o conteúdo da resposta exatamente como nos critérios de correção, não pode ter a pontuação máxima na parte da cotação da resposta destinada aos erros ortográficos. E ainda por cima existem corretores que não dão a cotação máxima destinada aos erros ortográficos só por causa de uma vírgula. -.-

Cátia Soares * disse...

Mas uma coisa. Ando, ou melhor andava, no décimo segundo ano, e a minha professora de português sempre que fazia testes ia 'buscar' perguntas a exames anteriores e corrigia conforme os critérios de correção. Toda a gente dizia que eram testes difíceis, e alunos que tinham outros professores diziam que os testes dela eram muito mais difíceis, no entanto, eu tirava sempre notas por volta dos 15, tendo até tirado 17, mas depois no exame de português apenas tirei 12.8, ou seja, a dificuldade do exame foi aumentada em relação a outros anos.

Juanna disse...

Eu tenho é a sensação que a cada ano que passa, as pessoas a que lhes toca fazer o exame vão dizendo sempre o mesmo: este ano é que foi difícil. Lembro-me dos meus irmãos, agora quarentões, suar estopinhas para fazer a temida PGA. Eu tive os exames globais em que saía a matéria do 10*, 11* e 12* anos TODA. Estudei como uma mula a matéria de 3 anos e tive boas notas. Eram difíceis? Sim. Mas quando se estuda, regra geral tira-se boa nota.