terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Das traições

































Marion Cotillard fotografada para a Vogue por Peter Lindbergh, agosto 2012

Tenho uma amiga, que por acaso até lê este blogue, que passa a vida a dizer que se soubesse que o marido a traía, no dia seguinte punha-lhe as malas à porta de casa. É nesta altura que nós divergimos. Eu não consigo afirmar uma coisa dessas com tantas certezas, porque acho que cada caso é um caso. Que há traições pontuais de uma noite e que há traições de uma vida. Que nunca devemos dizer nunca. E que, nestas coisas das traições, só mesmo passando por elas, sobretudo quando há filhos envolvidos como é o caso dela.

Mas, à partida, faria o mesmo do que ela. Aliás, já o fiz quando fui traída pelo meu primeiro namorado, mas também não morava com ele, nem tínhamos filhos. Se calhar se tivesse as coisas seriam um bocadinho diferentes. Se bem que tenho plena consciência de que nunca conseguiria esquecer isso e tenho a certeza de que a relação nunca mais seria a mesma. Valeria a pena continuar com essa pessoa nessas condições? Se calhar não.  

(Texto publicado no blogue em 2009)

14 comentários:

Rubi disse...

É complicado, e como dizes cada caso é um caso. Nós à partida achamos logo que é acabar tudo e siga para a frente, mas não é assim tão simples, sobretudo, como dizes, quando há filhos etc. Conheço alguns casos de traições em que primeiro elas espernearam mas depois aceitaram continuar por dependerem financeiramente deles e por haver filhos, e também porque eles lhes davam uma vida confortável. Conheço outro caso em que tentaram fazer com que resultasse mas ao fim de um ano não conseguiram ultrapassar a situação por ela não conseguir voltar a ter confiança. Acho pouco provável que uma relação sobreviva. Mas lá está, e dizes bem, uma coisa é uma noite outra é traição sistemática!

Sofia disse...

Eu no próprio dia coloquei as minhas malas à porta e esperei que sua excelência chegasse a casa e abrisse a boca para se explicar (sem qq hipotese de reconciliação mas não ia ficar sem o fazer!).

Fotografias com Histórias Dentro disse...

Eu não o perdoei, nunca o perdoaria.

Mia disse...

Já perdoei, e também já fui perdoada, tudo na mesma relação. Passado uns tempos acabámos. Claro que cada caso é um caso, mas tenho quase a certeza que hoje não o faria. Por mais que queiramos acreditar no contrário, a traição abre um precedente difícil de ultrapassar: a desconfiança. E que relação pode sobreviver sem acreditarmos no outro?

ABT disse...

O que significa uma "traição pontual"? Que "de vez em quando não és tão importante quanto isso e um homem tem as suas necessidades -- e essas podem ser satisfeitas com qualquer uma"?

A diferença entre uma traição pontual e uma prolongada, na minha perspectiva, é que a primeira mostra que "afinal" o sentimento não era tão forte assim, e essa é uma informação que não deve ser desmerecida, enquanto a segunda avisa que o traído patilha a vida com um desconhecido.
No entanto, a amizade pode sobreviver a um afastamento inicial, no caso do casal se ter separado por uma traição pontual ter acontecido. Enquanto uma traição prolongada mata qualquer respeito ou amizade pelo/a traidor/a.

Em ambos os casos os filhos não deveriam sair afectados. É melhor uma relação distante mas educada entre os pais, do que uma ligação infeliz dentro de casa.

Telma disse...

como disseste cada caso é um caso. É claro que teoricamente toda a gente diz que não perdoa mas nem todos os casos são assim tão simples

Jo disse...

Tenho exactamente a mesma opinião que tu! Só quem passa por elas é que sabe e cada caso é um caso. No entanto também acho que não iria perdoar. Mas uma certeza é de que não iria esquecer.

SM disse...

Até poderia perdoar mas nunca iria conseguir esquecer, logo ai as coisas não iriam resultar...

A Bomboca Mais Gostosa disse...

Se calhar não, mas é realmente complicado...
Só quem passa por elas é que sabe.

Butterfly disse...

Penso da mesma forma... é muito simples termos uma teoria do que achamos mais correcto fazer caso nos acontecesse determinada situação, mas nada como passar pelas situações para sabermos como reagir. Por vezes os nossos actos e comportamentos surpreendem-nos!

http://borboletasaltoalto.blogspot.pt/

Heidi disse...

E a ti já te perdoaram traições?

Sofia Henriques disse...

Quando falo sobre isso com mulheres a resposta nunca difere muito do "não esquecia e dificilmente perdoava". Depois, na prática, fazem o que diz a Rubi e cedem por não querer abdicar de um certo conforto (o que me parece muito triste).
Já os meus amigos homens afirmam que seria preciso ponderar, que uma traição só o é se existir envolvimento emocional, blá, blá, blá. Mas quando descobrem uma traição ficam destroçados e perdem a cabeça.
Seja como for, acho que a relação não volta a ser a mesma e se por vezes se mantém não será por amor, mas por comodismo ou dependência financeira.

Minimi disse...

Concordo contigo que há traições e traições, contudo independentemente se foi um caso de uma noite ou se foi algo mais duradouro não deixa de ser uma traição e uma traição traz sempre consigo sequelas.

mariana teresa disse...

Eu fazia o mesmo que a tua amiga,sem qualquer dúviada,é por causa disso que eu não acredito no amor nem nos homens.
Embora como tu dizes cada caso é um caso mas eu fazia-o da mesma.