quinta-feira, 15 de março de 2012

Da adoção

Elle Fanning

Quando digo que adotei a Princesinha a alguém que conheço há pouco tempo, há sempre quem se saia com uma frase do género - ah, eu conheço um casal que, como não podia ter filhos, também adotou. E eu detesto que me digam isso, confesso.

Primeiro, porque não adotei a Princesinha porque não podia ter filhos biológicos. Adotei-a porque nos adorámos assim que nos conhecemos e chegou uma altura em que já não conseguíamos estar longe uma da outra. Foi, e é, uma daquelas histórias de amor incondicional que eu julgava só acontecerem nos filmes. Segundo, porque adotar sempre foi um sonho, independentemente de ter ou não filhos biológicos.

E, para dizer a verdade, acho um erro enorme adotar porque não se conseguiu ter filhos biológicos. Adotar nunca, mas nunca, deveria ser um plano B, uma segunda opção - como não consigo ter um filho meu, vou arranjar um que não é meu para tapar esta ferida que aqui ficou.

30 comentários:

Juanna disse...

Caramba, acabas de me fazer vir ao de cima um desejo de pôr a família a 5. Se não te importas de responder, demorou muito a papelada? Digo isto porque o meu irmão esteve vários anos (ANOS!) a tramitar um processo de adopção e acabou por desistir, tal foi a quantidade de tempo e paciência.

Sim, escrevo à antiga :)

MissBlueEyes disse...

Bem verdade!

É quando se adopta nessa condição, assim que se separam, lá vai a criança novamente para o orfanato. Sim que para mim isso é ainda mais violento.

Quando alguém me disse isso, eu revirei os olhos, e ainda disse repete lá outra vez, que eu acho que estou com algum problema e não percebi o que querias dizer. Eis que a senhora me volta a dizer. "Os casais adoptam, e quando se separam devolvem as crianças, porque nenhum deles quer ficar com o encargo de um filho que não é biológico". E talvez porque achei que a crueldade não poderia chegar a esse ponto, NUNCA, jamais em tempo algum achei que isso fosse possível, pedi para me explicar novamente, porque ou eu era muito burra, ou aquilo que eu estava a ouvir, era completamente descabido!
E isto acontece com muita frequência, mesmo sendo o processo tão demorado e tudo investigado de fio a pavio, isto acontece!

Rubi disse...

Por muito que perceba o teu ponto de vista, também entendo quem adoptou porque não pode ter filhos. Não amam menos porque tiveram - como dizes - um plano B. Conheço muitos casos de sucesso. Beijinhos

Su disse...

Sou defensora acérrima de que há assuntos que só quem os vivencia deve opinar sobre eles. As pessoas falam e, na maioria das vezes, nem imaginam (porque não têm sensibilidade) a dor que estão a causar. Concordo contigo! Adotar não deve ser um plano B!

RAINHA MÃE disse...

Eu tenho 3 filhos e sempre sonhei adoptar uma criança. Claro que há muitos receios mas estamos a amadurecer a ideia e quem sabe mais tarde... Mas também sou de opinião que deve ser uma decisão que em nada deve estar dependente de poder ou não ter filhos biológicos, no entanto consigo entender que um casal só pense em adoptar depois de esgotadas todas as possibilidades. É um desejo muito forte, o de ter filhos biológicos... mas a tua história é sem dúvida fantástica!

Sexy na Cidade disse...

acho um gesto lindo! N importa o que as pessoas digam!

Maria

Ana disse...

Eu sou pelo "cada um sabe de si" e que pouco interessam os meios, mas sim os fins. Ou seja, interessa que se adopte e mais nada.
E, de facto, era bom que explicasses como fizeste e o que passaste, precisamente para que mais pessoas soubessem se é fácil, difícil, etc. E o quanto as idades são uma variável importante no processo (esperar por um bebé implica anos, se se quer mais velho é mais fácil).

ombemua disse...

Muito verdade!
Gostei :)

Paulo Nunes disse...

Plenamente de acordo! Contudo a maioria adopta por não conseguir ter filhos...

Amélie disse...

Olá Kitty. Sigo o seu blogue diariamente há um bom tempo e já pude perceber, através das palavras que escreve sobre a sua Princesinha que se trata sim, de um amor incondicional, alheio a qualquer justificação comum, um amor maior. Fico sinceramente contente por saber que a sua relação com a sua filha será sempre especial, porque onde existe um amor como o vosso não há lugar para dúvidas, medos ou justificações. Parabéns a ambas e sejam muito felizes!

Abraço*

Mónica disse...

Concordo plenamente. Independentemente de ter filhos biológicos ou não, já há muito tempo que sei que quero adotar :)

Nany disse...

Alguém que diga com todas as letras que adoptar é um acto de amor e não um capricho. E que é possível adoptar uma criança não bebé, por isso mesmo, amor.
Sim, muitos adoptam por não conseguir ter filhos, até porque já os tendo a situação familiar altera-se, bem como o próprio processo.
Eu lutei muito para ter os meus filhos biológicos, não me importava de ter um também de coração e só não tenho pela mesma razão que não tento o 3º: não tenho condições para tal.
Bjs e felicidades

Formiguita Bipolar disse...

Nada tenho contra quem adota por não conseguir ter filhos, e tal como a Rubi também conheço caso de sucesso.
Acho que é um meio como outro qualquer, e não creio que seja por isso que se goste menos ou se vá abandonar a criança se as coisas entre o casal derem para o torto. (Não duvido que haja quem o faça, mas o mesmo acontece com filhos biológicos de forma talvez não tão óbvia, mas igualmente violenta.)

Embora neste momento isso não esteja bem definido para mim, sempre disse que ao invés de ter filhos adotaria, e apesar de o meu companheiro também querer descendência nossa, o futuro dirá como tudo isto irá acabar.

E parabéns por essa princesinha que tantas alegrias te tem trazido.

***San*** disse...

linda!!! vc ,ela e a a história,parabéns.

Ana C. disse...

Ter filhos biológicos para preencher carências, ou adoptar uma criança para preencher um vazio é, à partida (e na minha mais do que humilde opinião), um mau princípio. Pois os filhos não devem ser um meio para atingir um fim, mas sim um fim em si mesmos.

rm disse...

Ainda não sou mãe, mas um dia se conseguir ter uma vida estável que me permita adoptar, falo-ei com certeza, é um desejo desde pequena.

S* disse...

Lamento Kitty Fane, mas esse teu parágrafo final fica feio. Imagina os casais que efectivamente não podem ter filhos? Que remédio têm eles a não ser recorrer ao tal Plano B, que tu pareces ver como um "tapa-buracos?

Acho bonita essa tua adopção, mesmo podendo ter filhos biológicos, mas para quem não pode engravidar a adopção é o PLANO A.

Arya disse...

Olá Kitty,

Penso que te esqueces que por vezes o tal plano B como lhe chamas é o único plano possível.
Há casais que apesar de se amarem e de terem muito amor para dar, infelizmente não conseguem ser pais biológicos.
Além disso, não concordo com a tua última frase. Adoptar uma criança, na minha maneira de ver, não é "arranjar um filho que não é meu". É amar incondicionalmente uma criança que sim, vai passar a ser minha, para sempre, independentemente de eventuais separações ou divórcios.

Acho o teu caso e da tua princesinha maravilhoso e fico muito feliz por se terem encontrado. Mas não te esqueças que cada caso é um caso e fica feio estares a generalizar desta forma.

Mad Hattress disse...

Concordo plenamente contigo. Eu pretendo adoptar independentemente de vir a ter filhos biológicos.

stantans disse...

concordo com a S* - para quem não pode ter filhos, adoptar não é um plano B, mas sim muitas vezes o único plano. e o que interessa é que as pessoas sejam felizes e façam as crianças felizes também.

Phyxsius disse...

Acabo por concordar um pouco com a S*. Eu, por exemplo, gostaria de adoptar mas, como é óbvio, depende da pessoa com quem estiver.

Compreendo o que disseste. Mas é preciso reparar que são pessoas que querem ter filhos. Mais facilmente critico quem diz que quer adoptar sem restrições e depois devolve a criança apenas porque é deficiente.

Maggie disse...

Bem isto cada caso é um caso, eu não consegui ter filhos durante mais de 7 anos, só os consegui através de ttt de fertilidade e nesses anos nunca pensei em adoptar. Para mim essa ideia de adoptar porque não podia ter os meus filhos nunca foi um plano A nem B.

Tudo de bom
Maggie

Vespinha disse...

Acho que seria bom a Kitty Fane enquadrar um pouco melhor os leitores acerca desta adoção. Até porque não foi um processo normal, não terá sido a Kitty que foi voluntariamente à procura de uma adoção, mas a adoção que se cruzou na sua vida...

Framboesa (uma diva de galochas) disse...

Por acaso este assunto tem pairado na minha cabeça....Não temos filhos (não porque não possamos ter-acho-eu-mas por opção até agora) e acho mais provavel na nossa vida vir a adoptar do que ter um filho biológico.Quase que o adoptar é um plano A e o ter um filho bilogico é um plano B.

AnaLu disse...

Grande vénia para este post.

P disse...

Gostei tanto de ler isto, neste momento. Fico feliz por nem toda a gente encarar a adopção só e apenas como uma solução a problemas que possa ter. Os meus parabéns e felicidades :)

Mamã de Salto Alto disse...

Eu tenho uma pipoca de 9 meses,mas confesso que não quero mais filhos biológicos.Agora,se pudesse proporcionar uma familia,cheia de amor para dar,e me apaixonasse como tu por mais uma pipoca que não tivesse carregado dentro de mim,provavelmente adoptaria.Pena o meu marido,não ser a favor disso...

Lia disse...

Desde que me lembro de ter "consciência" que digo a toda a gente que um dia vou ter filhos meus, mas também quero adoptar... É um "requisito" da minha vida!

marianinha disse...

Um gesto muito bonito parabéns,para adotar,não é preciso uma pessoa não poder ter filhos,basta simplesmente ter muito amor para dar.

Mais uma vez parabéns,de alguém que também tinha um bom blogue e que as pessoas más fizeram com que acabasse com ele.

Taty disse...

Filho é filho e pronto, talvez não seja possível ter os biologicos, então adotamos ou adotamos, porque queremos ter um filho. O mais importante é o amor...e o que os outros pensam.... O que é importante. ..