sexta-feira, 11 de março de 2011

Correndo o risco de ser apedrejada até ficar com o corpo em sangue

Chloe Sevigny fotografada por Gray Scott

Desculpem, mas já não posso ouvir falar nessa coisa da geração à rasca. A sério. É uma coisa completamente insuportável. Fico nauseada de cada vez que oiço falar disso. Já para não falar dessa música que nos apelida a todos de parvos, dos Deolinda, que me fez odiar um grupo que eu até ouvia de bom grado. E agora podem vir-me dizer que falo de barriga cheia, porque tenho um emprego, porque tenho isto e tenho aquilo. Pois tenho, é um facto. Posso não ter grande coisa, mas, pronto, tenho um emprego que me dá alguma estabilidade. E sei que há muita gente que não tem essa sorte. Que estudou anos a fio e que agora não vê o seu esforço reconhecido. Sei que há pessoas que se esfolam a trabalhar, para ganharem uma ninharia. Sei que há famílias que sobrevivem com ordenados mínimos. Sei disso tudo e sei que este país vai de mal a pior e que, a longo prazo, não se vislumbram perspectivas de nada melhorar. Não é isso que me faz odiar esta coisa da geração à rasca. Eu sei que isto está mesmo muito mal, sobretudo para os jovens. O que me faz odiar esta coisa da geração à rasca é de ver que a maior parte dos que se queixam, o fazem de barriga cheia. Ai coitadinhos que ninguém faz nada por nós. Somos a geração à rasquinha. E depois é vê-los a esbanjarem dinheiro por todo o lado. E depois é vê-los a viajarem como se não houvesse amanhã. A irem a todos os festivais de Verão e concertos. A jantarem fora todas as semanas. A viverem em casa dos pais até tarde apenas porque querem continuar com todas as regaliazinhas - cama, mesa e roupa lavada - porque isto de viver sozinho ou partilhar casa dá trabalho. A comprarem telemóveis topo de gama e roupa de marca. E por aí fora. Querem falar de geração à rasca? Sim, senhora, falem. Mas então ponham pessoas que estão realmente à rasca a falar, porque caso contrário isto não passa de mais uma moda, como comer sushi ou como ir ao Lux, sem qualquer credibilidade.

75 comentários:

R. disse...

Alguém que me entenda!

Just Me disse...

Finalmente alguém que me compreende ;)

Framboesa (uma diva de galochas) disse...

Concordo tanto, tanto, tanto!
Outra, que também não é parva!

Filipa disse...

Subscrevo. Subscrevo. Subscrevo.

Violeta Extravagante disse...

Onde é que eu assino?
O pior de tudo será cairmos em demagogias. A história diz-nos que há sempre um louco a aproveitar-se das demagogias para dominar em ditadura.
O que me dá medo também, é um grupo de sátira humoristica, Os homens da Luta, a levarem-se a sério...

Rubi disse...

Que muitos da nova geracao estao 'a rasca 'e um facto. Que muitos vivem como dizes Kitty tambem e' um facto. O que penso, cada vez que leio artigos relacionados com esse assunto, e' se nao estao bem e Portugal nao lhes da' trabalho/perspectivas emigrem. Eu fi-lo!

Gonçalo disse...

Não gosto de generalizações, mas este texto reflecte muito da sociedade jovem actual. Não vejo muitos jovens com sérias dificuldades financeiras, percebo ainda as suas vaidades intactas e apenas percebo a crise de emprego. Mas até para o emprego é preciso ser corajoso e deixar-se de lamúrias que não levam a lado nenhum. Eu sou um exemplo do sucesso desde o ponto zero!

Saudações jovens :)

Whitesoul disse...

Ainda aqui há tempo (não muito), li já n sei onde que foi feita uma sondagem e que a maioria dos jovens entre os 18 e 21 anos não tinha carro próprio, sendo obrigados a andar com os carros dos pais. WTF?????????????????
Isto são dificuldades??????????
Com 21 anos eu já trabalhava há 3 e estava a fazer a minha licenciatura ao mesmo tempo, andava de autocarro, pq os meus pais n tinham dinheiro nem para me pagar a licenciatura qt mais pra me comprar um carro, o meu 1º carro tive-o aos 24 anos e paguei-o eu com o meu dinheiro.
Fui lutando e crescendo, às vezes tb me via "à rasca" mas nunca fui pedir nada ao Estado.

Mas im, não te admires se fores apedrejada, tu e todos os que pensam como nós. Nós, esta cambada de sortudos (como já ouvi dizer) que não sabemos o que é acabar o curso e n ter emprego.
Pois eu há 7 anos atrás e já com mais de 3 anos de experiencia na minha área, saí da minha cidade, mudei-me pra Lisboa e vim ganhar 500€, mas era um risco que tinha de correr p poder evoluir.
Agora estes meninos, pq é q hao-de correr riscos e lutar pela vida, se os paizinhos ou o Estado podem dar tudo o q pedem?
Olha ainda nao se lembraram de pedir p deduzir os iphones no irs...

flor disse...

Também assino por baixo

MintJulep disse...

E eis que normalmente não concordo com nada do que aqui escreves - pontos de vista diferentes, vidas diferentes - mas hoje encheste-me as medidas. É que também já não posso ouvir meninas de 25, 26 anos com sapatinho acabado de comprar na Zillian ou na Aldo, com um emprego onde SÓ ganham 800€ por mês a queixarem-se de barriga cehia e a tomarem o pequeno almoço na pastelaria da esquina todas as manhãs, e a irem jantar fora ao sábado á noite ao restaurante da moda, principalmente depois de vir de uma entrevista de trabalho onde conheci uma Mulher de 38 anos, qualificada, desempregada há 3 anos, com dois filhos menores os quais cria sozinha, vivendo do rendimento minimo, prestes a ter de ir com os miudos para um centro de acolhimento social por não arranjar emprego, pois sempre que vai a uma entrevista dizem-lhe que a idade é uma limitação, e que não tem idade para competir no mercado de trabalho. Mas ali estava ela, cabeça erguida, muito boa apresentação, e a lutar no meio do seu desespero, lado a lado com miudas de 20 e poucos anos a acabarem os seus cursos e a quererem um emprego porque dão-se mal com a chefe no emprego onde estão e já não estão para aturar aquilo pois já lá estão há seis meses!!! Que vergonha.

Kella disse...

Isto já não é de agora. Há anos que tenho alunos com telemóveis e sem manuais escolares, com consolas e sem cadernos, com os bolsos cheios mas os sapatos rotos. Culpa de quem? Dos pais.

Raquel Fernandes disse...

Concordo! Nunca me faltou nada, nadinha na vida. Estudei numa universidade privada paga pelo meu pai, tinha o meu carro e uma mesada que tinha de gerir para todas as minhas despesas. Com 21 anos decidi que que não queria mais dividir casa com outros estudantes.

Pedi ao meu pai? Claro que não, ria-se na minha cara. Comecei a dar explicações 20 horas por semana e com esse dinheiro podia pagar a renda do meu tão ansiado T0. Eu sei que há gente sem sorte, mas também conheço muita gente que se queixa que não tem dinheiro para sair da casa dos pais mas jantam fora 4 vezes por semana e gastam um salário minimo em copos e cigarros... Conheço gente da minha idade que declara falência de empresas que se fartam de gerir e depois pedem garrafas de Cristal em todos os privados de todas as discotecas a que vão.

Há que separar as águas. Eu tive sorte, há quem não tenha. Mas a minha sorte não veio só do paleio e dos genes, também trabalhei para isso.

Cláudia disse...

Concordo completamente contigo! Não compreendo este que se intitulam de "coitadinhos" porque estudaram e não têm emprego na área, mas que também não encontram uma 2ª opção. Eu também sou licenciada e não encontro emprego na área mas, entretanto, vou trabalhando noutras coisas e não acho que valho mais ou menos por isso.

beijinhos*

Miss G. disse...

Gostei muito Kitty. E o que mais gostei foi que não tivesses negado que as coisas estão mal e que existe uma crise e que os jovens de facto têm dificuldade em encontrar emprego. Mas também chamaste a atenção para o resto. O que é diferente de generalizar e dizer que as pessoas não se esforçam e só não têm emprego porque no fundo não querem.

Lúcia Lopes disse...

Eu sei que não estás a generalizar Kitty, mas as coisas estão complicadíssimas para alguns. E sei que o meu não é dos piores casos...
Casei e fiz-me à vida aos 25 anos depois de uma licenciatura e mestrado. Nunca deixei de trabalhar nas férias para ter dinheiro para o que me fazia falta. E agora...
Eu não recebo salário da minha actividade principal há 4 meses. Trabalho em horário laboral, pós laboral e fim-de-semana para muitas vezes receber uma ninharia a recibos verdes. Ninharia essa que me vai dando pra pagar as contas!
E o meu marido...teve que ir para a outra ponta do país dar aulas. Sendo que pagando casa, comida e viagens...muito pouco fica do salário dele! Quase paga pra trabalhar!
Que há mta gente a falar de barriga cheia? Isso há! Mas também há quem se esfalfe a trabalhar sem perspectivas de melhoria no futuro...

Me disse...

Subscrevo.

Tens TODA a razão.

Se não desejam que quem está de fora generalize, então que aqueles que se manifestam, mostrem que estão verdadeiramente à rasca!

Ana disse...

Concordo contigo. Mais, pergunto a essas pessoas que estão agora tão indignadas onde é que andavam quando, nos meus tempos de estudante universitária (2002-2006)só aparecíamos meia dúzia nas manifestações e nas greves.
Beijinhos

mjoaob disse...

Palmas para ti.
:)*

GM disse...

Felizmente há algumas pessoas que pensam assim. E é muito difícil explicar às restantes que, apesar de a conjuntura não ser favorável, é preciso lutar. As vezes que forem necessárias. Mas é sempre mais fácil culpar o estado, de facto...

susie disse...

Assinado por baixo!!!

Mia disse...

eu faço parte da geração á rasca, sou recem licenciada e o mercado de trabalho acha que eu nao devo trabalhar.. acha que devo trabalhar de borla, acha que devo ser sustentada pelos meus pais... ja trabalhei em lojas e ja tive que andar a contar tostoes. No seu tempo o mercado de trabalho nao estava como esta agora porque se tivesse, não diria que há jovens de barriga cheia porque eu não conheço nenhum. não passou por esta situação miseravel é por isso que diz que ha pessoas aproveitarem-se.

GM disse...

Cara Mia, eu e mais uns quantos colegas de trabalho, devemos ser desses jovens de "barriga cheia" que diz que não existem. Nós e mais uns quantos que foram para Angola e Moçambique, Europa, outros até Austrália... Realmente devemos ser raridades. Isso ou interiorizámos que, de facto, vale a pena ir à luta, e ser-se competitivo.

Ana disse...

Mais uma a subscrever plenamente as tuas palavras. Também já tive 21 anos e sempre trabalhei enquanto estudava para não ter que pedir mais ao meu pai. E se ele podia? Podia sim senhora. Hoje com mais uns anos em cima continuo a ser jovem, felizmente tenho trabalho, mas dou muito de mim à minha profissão.... Ainda hoje tentei arranjar uma pessoa para trabalhar e todas com quem falei, DESEMPREGADAS, haaa e tal... mas e o meu tempo.... não tenho paciência. E sou jovem!

RAINHA MÃE disse...

Não sou propriamente velha (36), mas também de lembro de ter começado a trabalhar por pouco menos de 100 contos (alguém sabe o que é isso???) e era considerado muito. Hoje em dia as expectativas são muito altas. E quem não consegur aqui imigra. E há aqueles que nem de Lisboa querem sair porque perdem a noite lisboeta....Sei que há de tudo, mas até passar fome vai muito!

Luis Garcia disse...

Compreendo perfeitamente :)

anne disse...

Generalizar é o que a Kitty está a fazer. Existe mesmo uma geração à rasca e depois existem os hipócritas, os pretensiosos e os pseudo-intelectuais que a Kitty está a confundir com os primeiros. E para estes se acha que o protesto e a revindicação não é um arma revela então uma tremenda falta de consciência. Sabia que há pessoas a sobreviverem com recibos verdes ou jovens a sujeitarem-se a estágios não remunerados com a esperança de um lugar e no final o que recebem é um pontapé no rabo ou que o desemprego jovem é mesmo uma realidade? Talvez para si ainda haja dinheiro para uma digna reforma, para mim que estou no primeiro ano de faculdade sem perspectiva alguma de futuro não há esperança. Poderá talvez criticar o protesto inconsequente que não apresenta soluções e que não passa de um súbito surto de moda mas que existe uma geração à rasca (chame-lhe o que quiser) existe sim. Lembre-se que o 25 de Abril também aconteceu à boleia da música. Não é a música, os Deolinda, Homens da Luta ou de tanto outros que se trata, mas sim o de ter pão na mesa.

Gizamaria disse...

Também subscreevo.

Apesar de não trabalhar na minha área de formação, trabalho em algo que me dá gosto, ou melhor tive que aprender a gostar.

Mas conheço casos de pessoas que se recusam a trabalhar fora da área de formação e exigem logo ordenados de topo.

Someone new disse...

Concordo contigo! Eu entrei este ano (2010/2011) pela primeira vez na faculdade e o curso a que estou a frequentar tornou-se no que não estava a espera e basicamente para o ano vou mudar porque estar a estudar algo em que me sinto frustrada durante três anos, para isso não vale apena, sei que para o ano vou começar tudo de novo, mas em algo que realmente vou gostar. Estou numa pública e tive a sorte de ter direito a bolsa de estudo porque os meus pais não tinham dinheiro para me pagar as propinas, e considero-me com sorte porque o que recebo dá para pagar as propinas e o resto é para guardar, pois isto não esta nada bom, pelo menos para mim. Antes de saber se iria ter direito a bolsa, estava a procura de um emprego que pudesse conciliar com os estudos, mas sem sucesso, tenho 20 e sei que isto não esta nada bom, mas eu não me considero parte desse grupo que sai para jantar fora todos os dias da semana, porque eu cá janto em casa e não ando nos bares e a comprar cigarros, saio com os meus amigos e é de vez em quando, quando eles podem e quando a dinheiro. Mas, apercebo-me que cada vez que entro na faculdade é mais estudantes a entrar de carro do que outra coisa. Eu nem tenho carro nem sequer carta, pois não a dinheiro e ainda estou a pensar seriamente se quero ou não. Mas, vejo na realidade muito o que descreves no texto, mais do que imaginas. E ainda vou ter que mudar de curso, e se para o ano não tiver bolsa vou ter que ir trabalhar.

elisa disse...

Confesso que estou um pouco pasma com esta onda do vaismaisétrabalhar que tenho lido pela blogosfera...Na maioria entre que gosto de ler, inteligente.
Talvez por ter nascido onde greve e manifestação fazem parte dos direitos dos cidadãos, não me causa confusão nenhuma que jovens se juntem numa manifestação. Se há quem se queixe de barriga cheia, também há quem esteja mesmo na necessidade e se têm queixas, acho bem que as manifestem, num movimento democrático.
Tal como acho refrescante que se volte a música de intervenção, bem longe do politicamente correcto e de um moralismo que domina de tal forma a nossa sociedade que tolda a visão de gente inteligente.Sem apedrejamentos, porque o importante é respeitarmos as opiniões dos outros:)
Não foi para isso que houve um 25 de Abril?

Girassol disse...

Boa tarde,
Não podemos generalizar! A maior parte dos jovens que conheço não arranjam trabalho na área em que se licenciaram, estão a trabalhar em lojas, em restaurantes e em caixas de hipermercados.
Para mim esta manifestação não deveria ser somente para os jovens, mas para todos os portugueses, temos que demonstrar o nosso desagrado, sobre por exemplo, a construção do TGV e do novo aeroporto, não precisamos destas obras e nem temos dinheiro para elas.

Filipa disse...

Eu não sou de manifestações ou de grandes alaridos e percebo que tens razão na ideia que defendes, mas (há sempre um mas) tenho 24 anos, trabalho desde que fui para o 10º ano, trabalhei em part-time, depois ao fim do secundário parei um ano para juntar dinheiro para estudar, fiz a faculdade em regime pós laboral para poder trabalhar ao mesmo tempo. Pagava gasolina, roupas, jantares e por vezes ate coisas para casa dos pais comprava porque eles trabalharam sempre para terem uma casa, um carro e para nos darem o básico da escolaridade (para nos prepararem para a vida). Tive a sorte de poder trabalhar com os meus pais durante uma parte da faculdade, mas sempre tentei arranjar outro trabalho, porque trabalhar com a família às vezes não é nada fácil.. E no segundo ano de faculdade lá consegui um trabalho fora de casa para ganhar menos de 500 euros a (falsos) recibos verdes, a trabalhar 9h por dia 5 dias por semana e mais 3 manhas de sábado por mês.
E agora eu pergunto: será que esta geração a que pertenço não estará mesmo "à rasca"?

Com um emprego destes eu acabei por deixar duas cadeiras para trás...

Felizmente agora consegui um trabalho onde sou bem remunerada, mas quantos têm trabalhos onde são explorados,quase escravos e mal pagos?

Pixie disse...

Concordo com a parte de existirem pessoas que acham que a onda de reivindicação que se está a sentir é uma moda à qual aderem, mesmo não sofrendo efectivamente o que os que estão à rasca realmente sentem! Mas como já foi dito, não se pode generalizar. Eu pertenço a esse grupo que conta os tostões todos e faz das tripas coração para conseguir ter para tudo! Pouco saio, como em casa, privo-me de teatros, cinemas, concertos ( a cultura é um luxo neste país), dou explicações para pagar livros e fotocópias para a faculdade, pois o meus pais têm para me pagar as propinas é já vai sendo difícil! E não vejo perspectivas de futuro depois de acabar o curso. Mas uma coisa é certa, se não encontrar na minha área, claro que vou trabalhar para onde arranjar, tentar ter alguma independência. E aí concordo consigo, os meninos do papá e da mamã com quem convivo diariamente, que tem mesada choruda e bolsa de estudo porque escapam aos impostos, esses só vão se o emprego fôr da área, e com certeza arranjado com uma cunha dos pais! E trabalho não querem, querem emprego que isso é que é com!
Seja de que forma fôr, com hipócritas ou não temos de nos manifestar. Ainda tenho a esperança da juventude, de que um dia isto vai ter que mudar.

PS: se não me engano, é de uma geração de professores que tiveram facilidade em arranjar trabalho e com sorte ainda está efectiva em algum lado. Sorte que muito poucos de nós terá, para ter a noção.

Dreia disse...

E pronto...quem fala assim não é parva de todo!! :D
bjim

borboleta disse...

pois eu pertenço e conheço mta gente da "hipocrita" geraçao á rasca, como a estao a apelidar.sou licenciada, tirei o curso em regime pos laboral e trabalhava de dia.acabei o curso e despedi-me para poder fazer o estágio, que não era remunerado mas exigia a minha dedicação.nessa altura tive de voltar a ser sustentada novamente pelos meus pais que graças a Deus até podiam!depois de terminar o estagio trabalhei em varios sitios, inclusivamente call center e actualmente trabalho á mais de 4 anos a recibos verdes!na mesma empresa, onde me exigem um horario, e tenho de cumprir ordens.casei, tenho casa propria e conto trocos todos os meses para chegar ao fim do mes. e não, não ha dinheiro para roupa nova, nem jantar fora!pois a segurança social, o IVA e a retençao na fonte é tudo suportado por mim ou pelo meu marido, que esta exactamente na mesma situação que eu!será que sou hipocrita?! no sitio onde trabalho há mais de 30 pessoas na mesma situação que eu!E sim, ja tentei mudar de trabalho, mas tambem ja me ofereceram o ordenado minimo e a exigirem trabalho qualificado(licenciatura)!olhem á vossa volta e nao se limitam a olhar apenas para os vossos vizinhos do lado, porque a verdade é que tambem ha mt boa gente a aproveitar-se da CRISE!

_ba_ disse...

Por mim não vai ser apedrejada: concordo plenamente com o que disse. Aliás a manifestação que foi convocada para amanhã, dia 12, e que, supostamente, não tinha cor "política" parece que afinal os organizadores até convidaram o Jerónimo de Sousa para fazer parte da mesma :-(
Eu saí de casa com 23 anos, fui eu que paguei a minha carta de condução, o meu primeiro (e consequentes) carro, desde que comecei a trabalhar NUNCA mais os meus Pais pagaram nada portanto choca-me que as gerações que vieram atrás de mim sejam mesmo comodistas, não se esforcem, que pensem que ao sair da faculdade (aos 30 ou mais) vão ganhar 2.500 euros/mês ou mais, que podem ter o último modelo de telemóvel, iphone,ipad,tablet, etc, etc ...o meu medo é que tenho um filho a fazer 5 anos e, sinceramente, não sei o que vai dar mas esforço-me diariamente para que não ache que as coisas se conseguem sem esforço e sem trabalho ...vamos ver ...

_ba_ disse...

E mais: se o País está (e vai continuar) a atravessar uma crise "daquelas" não devemos parar devemos é trabalhar, produzir.

Lima e Tequilla disse...

Não podia concordar mais...

Shiine* disse...

Concordo. Ainda agora li um artigo num blog a "queixar-se" de fazer parte da geração à rasca, quando em baixo é só roupa, viagens e futilidades.

MintJulep disse...

E com tanto jovem aqui a contar os seus casos de sacrificio e abnegação, imaginem lá o que é ter uma pós graduação, "n" cursos de especialização e de formação profissional, ter quase 40 anos e ter de trabalhar a recibos verdes sem se arranjar colocação em mais lado nenhum, porque se é mulher, se tem mais de 35 anos e se tem filhos pequenos que requerem a nossa disponibilidade pois aqui não há avós para ajudar. Gastei rios de dinheiro a tirar um curso numa área onde NUNCA exerci e da qual tive de desistir pois precisei de arranjar emprego numa porcaria qualquer, que foi um call center, tenho trabalhado sempre em call centers, inclusive num do estado do qual fui mandada embora quando engravidei, estive mais de 2 anos desempregada e agora estou a falsos recibos verdes, e tenho de me aguentar pois não arranjo mais nada, e dificilmente vou arranjar. Férias? Não há. Roupas novas, diversões, saídas, jantares fora... sei lá o que é isso. O meu filho precisa de comer, de ter um tecto e de ter escola, a qual é privada pois não tem vaga na creche pública. Se é dificil para a geração de 20 e tal anos, meus caros, mais dificil é para quem está a rondar os 40.

Ana disse...

Mesmo, tens toda a razão nesse aspecto! às vezes espanto-me com o facto de algumas pessoas se queixarem tanto e terem tanto...

Emma disse...

Apoiadíssimo!

Belicious disse...

Apedrejar?! Eu aplaudo este post! Apesar de eu pertencer por completo à dita geração

Rice disse...

A maioria dos meus amigos, assim como eu andar a suar para pagar propinas, anda a estudar e a trabalhar com uma unica folga por semana. Infelizmente nao posso concordar. Há casos e casos, há pessoam que estão recheadas e outras que não, mas não me venham com coisas, que estamos mal estamos e se estamos a lutar é para mudar as coisas A não ser que esta imagem cinzenta que se vive agora agrade a todos, e esta manif só vem provar que a grande maioria está farta da nuvem de merda em que nos meteram!
A culpa não é nossa, é de todos e estou à rasca sim!

Margarida disse...

é com alguma desagrado que leio as suas palavras, pessoa que até há bem pouco tempo julgava inteligente e até lhe dava algum crédito. Mas tal como a "curriqueirice" do termo " geração à rasca" tabem as suas palavras afundaram no mais brega e vulgarzinho, do que por aí se ouve. É o comentário típico de bancada, que eu, fazendo parte desta nova geração que impunemente se encontra à rasca. Vestir roupas de marca ou jantar fora todas as semanas, não me parecem ser coisas que definam a idoneidade de alguém, além do mais quer-me a mim parecer que na sua juventude também fazia todas essas coisas, a única diferença que encontro hoje em dia é que o pode dizer de boca cheia por ter uma vida estável, entao a análise torna-se, por si, só mais fácil. E concluindo, todos esses valores que dizem fazer parte da "geração à rasca" não são porventura os mesmos valores que vai aqui expondo no seu blog? Marcas, requinte, luxo etc etc. Ah mas desculpe, a senhora tem emprego e uns bons aninhos a mais que eu e isso dá-lhe todo o crédito!

Anónima disse...

Subscrevo integralmente. Acrescento ainda que o discurso "estudar já não vale a pena" deveria ser mote suficiente para uma avaliação profunda ao ensino superior, porque significa que as novas gerações não dão valor ao "saber" e à cultura enquanto objectivos máximos de uma formação universitária.

tummytuck disse...

Correndo o risco de ser eu a apedrejada, dado o número de seguidores, leitores, imitadores e outros "ores" que aqui encontro, chega a minha vez de comentar o blog de alguém que leio há anos.
A Sra. dá aulas, não dá? Eu também. Há já três anos, mas a recibos verdes. Terá uma turma de crianças, certamente. Eu tenho 15 turmas neste momento, já que trabalho à hora. Saberá quem me entender que, dar aulas, formar, transmitir conhecimentos não se limita a despejar teorias num espaço confinado e que trazemos o trabalho para casa. Imagine o trabalho de 15 turmas. Eu chego a trabalhar 12 a 15 horas (laborais), porque não posso ganhar apenas as 6 ou 7 horas previstas. Se ganho bem? Ganho à hora, para o bem e para o mal. A Sra, fez uma operação há uns dias, não fez? Esperando que esteja a gozar de perfeita saúde, soube-lhe bem a baixa, não soube? Pois... eu fiz uma amniocentese há dois meses e perdi 50 horas de trabalho, sabe porquê? Porque não tenho direito à baixa abaixo dos 30 dias. E se por acaso estivesse de baixa 30 dias, seria saneada. As análises que faço saem-me do ordenado também, porque tenho de faltar às aulas para as ir fazer e não me aceitam justificação. Daqui a dois meses, assim se cumpra, terei a minha filha nos braços e vou receber um ordenado mínimo. E espero conseguir trabalhar até ao fim, porque ninguém me garante que ela não nasça antes. Vou receber um ordenado mínimo durante 4 meses. Os meus brutais descontos (acima deste ordenado mínimo) são espelho de um gordo vencimento. Um gordo vencimento suado, que não reclamo e que, relembro, é ganho à hora. Saberá o que quero dizer. Não há subsídio de férias, Natal, de doença (abaixo dos 30 dias), indemnizações e afins. Eu reclamo hoje por aquilo que me faz falta - os mesmos direitos de quem desconta abaixo ou o mesmo que eu. Porque eu, que sou trabalhadora de segunda, terceira, ou quarta, também tenho direito de comer sushi e ir ao Lux.
Aplaudindo e partilhando muitas das suas ideias e posts, peço-lhe encarecidamente, veja o que diz e, não estando pronta para sair do pedestal em que se encontra, tenha tento na língua.

guida disse...

Existem uns desta geração (os que te referes) e existe outros que têm o direito a manifestar-se. Estágios não remunerados? Ainda pagam para trabalhar? (transportes, alimentação, etc..)... é disto que se trata. É isto que os Deolinda falam. É preciso compreender...

Duchess disse...

Pronto lá vou eu contar a minha história de vida: Tirei um curso com suposta pouca empregabilidade em Portugal (História) há coisa de 10 anos. Durante o meu curso, juntei dinheiro, trabalhei no Verão, etc. Não para tirar a cartinha e o carrinho mas para me ir embora mal acabasse o curso. Mal o acabei fiz as malas e fui tirar o mestrado para Inglaterra. Depois de me esfaltar a tirar o mestrado, consegui tirar o doutoramento numa excelente universidade. Apesar disso depois de acabar o curso trabalhei em variados sítios ao mesmo tempo que ia fazendo investigação que era pouco ou nada remunerada. Até num Starbucks trabalhei. À medida que o meu trabalho académico ia sendo desenvolvido fui conseguindo arranjar trabalhos mais dentro da minha área. Trabalhei na organização cultural de alguns monumentos de Londres, numa biblioteca. Cheguei a dar aulas de História numa escola pública londrina. Hoje em dia, consegui arranjar uma posição numa universidade no Norte de Inglaterra, faço investigação e dou aulas.

Meus amigos: a vida não é fácil. Eu percebo e choca-me aquelas pessoas que tiram licenciaturas e estão anos e anos sem trabalhar...mas sinceramente, eu quando decidi tirar o meu curso percebi imediatamente que não podia ficar em Portugal. Mas a minha mentalidade era: eu vou tentar fazer o que quero na vida. Se não for em Portugal (que não era seguramente), é em Inglaterra, nos Estados Unidos, em França, na Alemanha, no Japão se for preciso. A verdade é esta: vivemos num mundo competitivo, num mundo globalizado. Temos que ter alguma noção de que as realidade mudaram e que isto já não são os anos 70 em que um canudo mesmo que acabado com média de 9.5 dava direito a trabalhinho a ganhar 300 contos por mês.

Queixam-se que vivem a recibos verdes? Pois bem tenho amigos a trabalhar em empresas em Inglaterra e nos Estados Unidos que são despedidos e no mesmo dia tem que levar os caixotes para fora do escritório porque no dia seguinte já lá não põem os pés... indemnizações por despedimento? Onde? Uma hora e meia de almoço? Em que sítio?

Há situações muito complicadas, eu percebo mas a verdade é que há sempre alternativas...emigrem, vão trabalhar para as obras. Quantas vezes não aparecem empresários a dizer que não há ninguém que vá trabalhar para as fábricas? Crise é não ter o que comer. Crise para mim é a senhora de 80 anos que recebe uma reforma de 150 euros e não ter dinheiro para pagar os medicamentos. Não é certamente tirar um curso e não poder trabalhar na área em que se quer e ter que se ir para call centers...

tummytuck disse...

@Duchess - alguns pontos frisados por si apresentam a plausibilidade necessária, mas não tenho de sair do meu país para exercer aquilo em que me formei.

Se todos assim pensássemos, teríamos uma situação miserável. E sim, queixo-me dos recibos e da falta de solidez laboral. Se de facto consegue e pretende trabalhar fora do país, que tenha todas as ferramentas necessárias e só lhe posso desejar sucesso.

Agora, os argumentos que lança quando começa a falar em saídas são medíocres. Se os seus colegas estão nessa situação deplorável, eles que se queixem. Eu queixo-me do que me dói e não vou ficar calada porque "tadinhos, há-os bem piores". Esses argumentos já são do tempo da minha avó e trouxeram-nos onde estamos.

Duchess disse...

Cara tummytuck:

Eu percebo os seus argumentos mas devo dizer-lhe quando fala nos meus amigos, eles não tem grande coisa que se queixar pois é uma questão de mentalidade. Em Inglaterra (Quanto mais nos Estados Unidos) passa pela cabeça de pouca gente que haja as regalias laborais que existem em Portugal. Os portugueses, especialmente os políticos portugueses, ainda não perceberam (ou já, mas ainda não tiveram coragem de o dizer) que os trabalhadores em Portugal têm condições laborais que quase mais nenhum país na Europa tem. Não sou uma liberal exagerada como poderá estar a pensar mas ao ser confrontada com outras realidades percebi que em Portugal os trabalhadores são muito beneficiados.

Eles não tem que se queixar por diversas razões. De facto não há indemnizações, nem as abébias do costume...contudo, há outras regalias. Alguma flexibilidade de horários, as horas extraordinárias são em muitos casos inexistentes, a pessoa entra ás 8 e sai ás 16 ou 17 e não passa pela cabeça do chefe lhe dizer: "então só vai-se embora agora?"

É um ambiente sem dúvida muito mais competitivo mas penso, pelo o que sei da realidade portuguesa, que acaba por ser um ambiente de trabalho muito mais saudável.

Pessoalmente, eu fui me embora porque sabia que o que queria fazer, não o podia fazer em Portugal (Até pela minha área de estudo dentro da História). Emigrei porque quis, sim por razões pessoais, mas também por necessidade. Eu sinceramente acho que se as pessoas tiveram de optar entre serem qualificadas mas viverem o resto da vida a serem infelizes por estarem a fazer o que não gostam, e arriscar e emigrar eu optaria por emigrar. Claro que no caso de quem te família, filhos marido etc eu compreendo que seja complicado mas não acho de maneira nenhuma que trai a minha pátria "e que devia ficar para tentar desenvolver o meu país". Infelizmente, Portugal sempre teve vagas migratórias muito grandes, como agora está acontecer e isso nunca criou um impacto na política portuguesa. Tanto que pelo o que sei não há sequer estatísticas exactas da quantidade de jovens que por ano, emigram.

Em último, fui à procura do seu comentário, se é que o tinha feito, e percebi que o meu comentário podia ser entendido como uma "boca" para si. Garanto-lhe que não foi.

ganeisha disse...

Grande verdade!

Isa disse...

completamente de acordo!!

naotenhosaude disse...

Olha partilho da tua opinião. Há coisas em tudo o que se diz e tudo o que se reclama que me fazem uns nervos enormes.Eu trabalho numa loja e vejo todos os dias essa dita geração à rasca a gastar dinheiro em luxos absurdos e são capazes de ficar minutos intermináveis a falar comigo sobre a crise e sobre o fundo de desemprego que nunca mais chega!
E o pessoal não tem trabalho na área. Eu tenho pena mas a verdade é que essas pessoas quando entraram nos seus cursos tinham pura consciência do estado caótico em que se encontravam no que dizia respeito a emprego nessa área. E mesmo assim quiseram tirar os cursos! Então agora que tenham calma e que vão trabalhando em outras coisas até haverem vagas. Eu termino o meu mestrado este ano e já há cinco anos, quando entrei para a univ, sabia mais que bem que comunicação social e educação de infância, por exemplo, estavam completamente entupidos! Eu gostava de ser Prof. Primária mas tenho consciência de que terei que esperar por outros tempos para proceder à formação e exercer. Agora falam desta dita geração e põem alunos formados em cursos destes a falar? Fogo a culpa é deles. Os cursos devem estar disponíveis para quem se quiser formar, mas que não mintam porque ninguém os iludiu ou prometeu emprego na área.

Estiqueeeeei-me:P
Beijinhos

Ultima Thule disse...

Realmente é um dinheirão que se gasta em ir a um restaurante japonês...
solução: aprender a fazer sushi em casa!

Também estou farto da geração à rasca, acho que há muitos jovens a seguir o caminho da comodidade parasitária em vez de trabalharem.

ana filipa disse...

Acho este post uma grande treta, toda a gente sabe as condições em que vivem "as gerações à rasca".

Não compreendo quando dizem "ai e tal mas tem pais com dinheiro e têm boa vida.."...sim ok mas os PAIS têm possibilidades, os filhos até podem ser ajudados (não têm outro remédio) mas e independência para fazerem a sua vida? dinheiro para sairem de casa, e formarem a sua própria família??
Eu sou arquitecta e já lá vão dois anos de trabalho sem receber nada, zerinho!Ao fim de semana trabalho uma loja para pagar a gasolina para durante a semana poder ir trabalhar num sítio em que não recebo (basicamento pago para trabalhar)...
Os meus pais ajudam e tenho a sorte de terem possibilidades para isso, mas ninguém está livre de alguma coisa acontecer...e depois??..Quero seguir a minha vida mas não são eles que me vão pagar as contas!

Sim kitty é espectacular não ter razões para falar mas falar na mesma só porque sim...

treehugger disse...

Aquilo a que o protesto se referia não eram apenas as gerações à rasca mas a situação económica e política do país. Não creio que emigrar ou contentar-se com um nível de vida inferior seja a solução. Devíamos estar a evoluir e não a regredir. E não, não me considero de uma geração 'à rasca' porque penso que escolhi um curso que possivelmente me vai dar emprego e também acho que reclamar é fácil e, por isso, é que tantas pessoas atenderam ao protesto. Nem tudo o que foi dito está correcto mas o que é certo é que a situação política de Portugal é deplorável e, em vez de fugirmos (emigrarmos) estamos aqui a tentar lutar por um país que, pelo menos eu, considero ser meu.

Pirata* disse...

Realmente, aquela geração carregada de várias gerações insatisfeitas que lá estava: cambada de estúpidos e acomodados, não é?

Esta apatia e vontade de que toda a gente coma e cale que muita gente aqui deixou, enoja-me!
Ou será que são também um mero rebanho que vai atrás do que a senhora aqui escreve só para não ficar mal na fotografia? Ou então está tudo a viver muito bem, só pode!

Eu tenho um contrato e não recebo há quase 5 meses! Pasmem-se! Só tenho motivos para estar feliz!

Haja dinheiro para os vossos sapatinhos, roupas e afins. Eu não o tenho e, pelos vistos, os meus pais também não, os meus avós muito menos (ou fui só eu que vi lá ontem demasiados cabelos brancos?).

Um bem-haja a todos.

Miss Chérie disse...

Não concordo totalmente com o que dizes, mas também não discordo de todo. Só penso que tocas num limite em que incluis tudo no mesmo "saco". Então é assim: eu que acabei agora o curso, que seria um curso que até me daria alguma estabilidade vejo que ainda me faltará muito tempo para conseguir o meu primeiro emprego. E que por isso, vou ter de planear ficar em casa dos meus pais pelo menos mais uns 3 ou 4 anos, e não, não é pela roupa lavada e cama feita é mesmo por falta de opção. Eu que até compro roupa de marca e vou a alguns festivais trabalho em alguns part-time's para tal. E sim estou à rasca. E concordo contigo em relação ao sushi ser uma moda e toda a gente querer comer por tal facto. =)

Tamborim disse...

Querida Kitty, discordo deste teu comentário. Do seu espírito, e dos seus pormenores. Entendo, e subscrevo, que os enrascados devem ter cuidado com as poupanças, n pisar o risco e viver na justa medida das suas possibilidades. Decerto. Mas a questão n é porem pessoas realmente à rasca a falar. Kitty, eu fui precária por 8 anos. Hoje n sou, e apesar dos pesares tb me debato c limitações como: comprar, arrendar? E dps o q sobra?Qtos de nós levaam cortes desleais nos seus salários, como foi injusto começar c cortes tão altos e acabar c cortes tão baixos p quem mais pode! Eu fui ontem, apartidária como sempre, sem movimento e com o meu cartaz, solidária com todos os q estagnam, congelam os seus planos de vida nessa precariedade tão perversa. Mas o mote n esgotou a intenção dos presentes. Todos estamos a ser delapidados de forma injusta, nestas horas paroxísmicas de crise é muito mais nítida a desigualdade, e a falta de equidade dos tão propalados sacrifícios. Kitty as pessoas n saem da casa dos pais pq muitas, infelizmente, n podem. Contra o desabarado, claro q sim. Mas nem todos esbanjam, ou se calhar os jovens precários n o fazem mais do q os outros q, n sendo precários, vivem c as necessárias limitações tb. Muitos há q mal sobrevivem, q hesitam entre ir ao médico e comprar comida, entre vestir-se ou calçar-se, entre comprar um cd ou comprar um medicamento...Esses n esbanjam garanto-te. Honestamente só quem ontem n esteve na Av. da Liberdade ou noutros pontos do País nos quais felizmente houve um claro NÃO às condições indignas em q se vive é q n viu o imenso potencial da sociedade civil q quer, deseja poder fazer alguma coisa sem saber bem como. Eu acredito mais na sociedade civil q em qqer partido ou político. Deveríamos unir-nos, pressionar e impor o respeiro. Com a carneirada insossa e mole faz-se tudo. Com o povo a pensar, a fazer e a mostrar q pensa e q faz a cantiga será outra, bem outra!Gostava de contar contigo.Quem possa dar-se, acrescentar, alimentar. Sei q podes. A questão é: quem quer?

my-fashion-wishes disse...

Não concordo com este post. NADA! Normalmente gosto do que escreve, mas hoje fiquei desiludida ao ler isto. Desiludida por que quem se queixa não é uma geração de meninos do papá que gastam dinheiro em modas e vivem em casa dos pais só porque lhes dá jeito... Quem se queixa, quem se manifestou ontem são todas as gerações, todos aqueles que estão desiludidos e fartos do rumo que o nosso país toma. Não é uma manifestação pelas pessoas que tiraram um curso em cuja area não conseguem emprego.E é deveras assustador perceber que alguém que anda a educar as gerações que atrás destas virão não consegue ver mais além. Essa ideia que tem é a ideia que foi vendida pelos media de fraca qualidade. Uma professora deveria conseguir perceber que existe muito mais para além disso. Não me manifesto, não me queixo ou intitulo de geração à rasca por esse motivo. Se fosse esse o caso nas teorias de muita gente deveria ter fugido a 7 pés da manifestação. Estou a acabar o curso de medicina, área em que para já ainda há alguma estabilidade, área também em que se diz só haver essa estabilidade por lobbys da ordem e dos governos. Discordo! Ao que chamam lobbys, eu chamo uma classe profissional que se soube defender da mediocridade das medidas governamentais. Exemplo de que enquanto calarmos, enquanto deixarmos que nos calquem e continuemos a pensar que há bem pior nunca vamos melhorar. Não vivi a ditadura nem o 25 de Abril, mas como apaixonada por política, história e fenómenos sociológicos questiono-me o que aconteceu nestas últimas décadas. O que aconteceu para que o povo se esquecesse da sua força, se esquecesse que sem ele não há país e aceitasse um nível de governação abaixo do medíocre? O que aconteceu para que o povo tenha acolhido de novo no seu espirito essa capacidade de se resignar e pensar que há pior? Há sempre pior, até para quem vive num país de 3º mundo há pior, há aqueles que já morreram à fome... Se pensarmos que há pior, nunca vamos ser melhores! E isso é que é o núcleo do protesto! Está na hora de sermos melhores!!

C. * J. disse...

Eu compreendo o teu ponto de vista perfeitamente. E há realmente muita gente que se queixa de barriga cheia. E cada vez mais vivemos numa sociedade consumista. Mas eu acho que mesmo que fosse riquíssima, iria na mesma. Porque há mesmo muita gente à rasca. Por isso apelo ao protesto tanto quanto apelo aos senhores protestantes que não votam que o façam pois não basta falar.
Bjo :)
J.

Verytonta disse...

Discordo. Pelo que percebi, é professora e fico surpreendida por ver que só vê isto e mais nada no país em que vive! Eu sou professora e vivo sozinha! Estou colocada com um horário de 6 horas (sim, 6 horas!!!!) em Lisboa! Sabe quanto é que ganho? Nem o salário mínimo! Como é que eu faço para pagar, renda, água, luz etc com menos do salário mínimo?! Eu não sei... mas tenho feito, pois vivo sozinha desde os 18 anos! E, como eu, há milhares de colegas assim! Entristece-me que alguém que trabalha com jovens tenha uma perspectiva tão negra e distorcida da juventude! Eu fui à Manif e fiquei surpreendida, pois as pessoas todas, incluindo os jovens de que fala, estavam bem conscientes da realidade. Há reformados com reformas de 50 euros... 50 euros! Já trabalhou a recibos verdes? Eu já... Sabe quanto é que paga de taxas?! Pois... A sua sorte é realmente ter emprego e estabilidade! E ainda bem que o tem, pois merece-o como qualquer outra pessoa! O que nós queremos também é essa estabilidade... Não queremos que nos dêem nada de mão beijada! Não quremos salários milionários... Não queremos ser ricos! Queremos apenas trabalho estável e justo, tal como nos foi prometido quando nos incentivaram a frequentar a universidade. Não queriam um povo culto e cheio de estudos?! Não nos mandaram para a universidade?! Nós fomos... E agora?! O que é que fazemos? Como é que vamos viver? Acha que é possível viver sozinho com menos do que o salário mínimo? Tente... a sério! E verá o que é... Futlidades é falar de modas, roupas, cremes... quando, neste país, há quem não tenha para comer, pagar medicamentos, escola etc. Isso sim é fútil!!!

Patty disse...

Sim, correndo o risco de ser apedrejada, pois tem noção que a sua generalização peca por injusta. Os meninos dos papás não precisam de se defender em manifestações, sabem que estão mais do que defendidos, mas... e os outros?
Tenho dois filhos adolescentes que estou a educar para viverem no estrangeiro, para crescerem e terem as suas familias longe da familia e do país que os viu nascer, acha isso normal?...

Martini Bianco disse...

É destes posts teus que eu admiro. Concordo em absoluto com o que disseste. Aqueles três metralhas que convocaram a manif parecem tudo menos "precários". Costumo dizer que é a tentar que se consegue, a lutar todos os dias, a nunca desistir, porque a vida neste país nunca foi fácil.

Fico sempre com a ideia que essa gente pensa que os empregos caem do céu. Vão para a faculdade estudar matérias que gostam mas que não têm empregabilidade alguma, habituam-se aos facilitismos e depois a culpa é sempre do governo.

Parabéns por este post muito lúcido.

SEA disse...

clap clap clap clap.

Maria disse...

Eu Jovem à rasca de 37 anos, licenciada e pós graduada , que saí de casa dos meus pais com 16 anos , que sempre trabalhei e paguei os meus estudos com o suor do meu corpo , que não tenho inveja das cunhas e de quem está bem na vida , que subervivo e subervivi durante muito tempo com 500€ a 600€ por mês , que nunca tive medo de lutar por uma vida melhor , que só tenho um filho porque não posso ter mais , que já enviei uns 500mil currículos sem resposta , que nunca quis ser funcionária pública , que não gosto de quem coloca várias gerações , classes sociais e modos de vida , na mesma embalagem e com o mesmo rótulo de mandriões , calões , etc . Confesso , estive na manif de sábado , e tenho orgulho em ser portuguesa .

Teresa disse...

Faço minhas as palavras da my-fashion-wishes: "é deveras assustador perceber que alguém que anda a educar as gerações que atrás destas virão não consegue ver mais além". Tenho 35 anos, um filho. Tenho medo que o meu filho tenha uma professora com este tipo de mentalidade. Não sou precária. Trabalho na área que escolhi e ganho bem. Tenho aquilo a que se chama um bom emprego. Mas não posso, nem quero, fechar os olhos à realidade. O que se passa é assustador. E estou solidária com todas as pessoas "à rasca".

N disse...

Jantar fora, viajar, ir a concertos, festivais, etc, não faz com que seja uma geração menos à rasca. Independentemente disso, quem foi à manifestação no sábado ou passou os olhos por fotos e relatos, pode constatar que não eram só deolindos. Eram pessoas de todos os tipos, era toda a gente. Haverá sempre quem se queixe porque sim, mas não se pode generalizar. Muito menos de(ssa) forma arrogante.

Li disse...

Tem toda a razão! :)

Li disse...

Tem toda a razão. :)

A qualquer hora no macdonald´s disse...

nao posso deixar de comentar : LOOOOOOOOOOL. Farta?who cares ?
este post generaliza de mais.
eu tenho 21 anos, ainda nao terminei o curso e é o meu pai que mo vai dar porque é a herança que me quer deixar, se tivesse de trabalhar (como já fiz ) trabalharia. no entanto, as coisas estão muito difíceis, mesmo para pais que querem sentir o orgulho de ter pago o curso aos filhos. O meu pai pagou o curso à minha irmã e ela trabalha fora de Portugal, porque aqui NAO DÁ! tenho muitos colegas que já terminaram o curso que não arranjam estágios remunerados nem depois arranjam trabalho. Claro que os jovens viajam, vão a concertos... a kitty sabe lá quem paga os bilhetes ou lá como é a vida das pessoas.
Kitty, a questão da manifestação não é a música dos deolinda , que não está nada má, ..é o futuro deles e futuramente meu que preocupa. não vi lá ninguém com uma mala chanel .. eu, por exemplo, adoro a marca, como adoro outras... e só sonho com elas...porque te-las ? preciso de ter um trabalho tão estável como o seu kity que me permita falar como falou, mesmo assim.. acho que não iria ter necessidade de dizer o que disse.

jopurdida disse...

Isso é uma generalização grosseira.

Obviamente que há por aí muita gente a reclamar que está à rasca, mas o que quer é manter o nível de vida a que se habituou.

Mas depois há outros, como eu e muitos outros, que dê por onde der, dão a volta. Sou filha de pais com a 4ª classe, que ambos ganham o ordenado mínimo, e que viram pela primeira vez na sua família alguém aceder à universidade. Não consegui entrar na pública e fui estudar para uma privada, com bolsa parcial do estado e a trabalhar a full-time desde os 16 anos, para pagar as minhas coisas e o meu curso.

Se tenho expectativas altas, tenho. Mas não fico em casa à espera que me apareça um emprego a pagar 1500€. Tanto que desde que tirei o meu curso, o único emprego na área que arranjei foi para fazer um estágio em part-time. Desde aí, nunca mais. Sempre arranjei outros empregos, em outras áreas e o máximo que recebi de remuneração até hoje foram 800€, numa empresa que me exigia 14 horas diárias e ao fim dos 3 contratos mandaram-me embora, porque ninguém passava a efectivo.

Se estou à rasca, estou. E não tenho blackberry, nem playstation. Não vou ao Lux, não fumo, não bebo, não tenho carro e vivo numa casa emprestada. Estou actualmente desempregada, vou ajudando a minha mãe nas limpezas e, de vez em quando, lá arranjo uns biscates temporários a recibos verdes que vão dando para pagar algumas das contas.

Se passo fome?!? Não passo, porque a sopa alimenta na mesma, mas a carne e o peixe não abundam cá em casa.

Claro que cada um é livre de ter a sua opinião, mas às vezes há generalizações que magoam quem nelas se vê incluida.

Ana disse...

É a primeira vez que faço um comentário aqui e desde já peço desculpa. Só para dizer que fiquei extasiada com o teu texto porque, de facto, tem-me sido complicado fazer ver o meu ponto de vista que é exactamente igual ao teu! Eu conheço casos reais de colegas que já estagiaram e quando se começou a aproximar o Verão pediam (tinham a distinta lata!) para não ir no dia a seguir ou no dia à tarde e nem precisavam dizer porquê. A praia falava mais alto e era notório no bronze que iam apresentando... Era isso e contarem os minutos até sair... No entanto, aposto que fizeram parte das manifestações assim como casos iguais, enfim... que me desculpem as excepções e os que protestam com razões para tal.

Tina disse...

Kitty, não sou leitoria assídua. Vim hoje visitar-te por quase puro acaso e eis quando me dou com este post... tenho de concordar contigo. É impossível não o fazer, mesmo tendo consciência da situação económica e social do país actualmente, mesmo sabendo das dificuldades por que passam tantas pessoas e do esforço que outras fazem para arranjar um emprego, às vezes muito aquem das suas capacidades (já para não dizer, da sua formação). Tal como tu, também fico ligeiramente atónita quando ouço falar nestas dificuldades e depois sei que os festivais de Verão, os concertos das bandas internacionalmente conhecidas esgotam (da última vez que verifiquei, acho que o público-alvo é jovem), quando vejo a facilidade com que compram e voltam a comprar telemóveis e todo o tipo de gadgets mais avançado, com que gastam ao fim de semana em saídas e afins... Há aqui qualquer coisa que não bate completamente certo. No meio de tanto à rasca, há tanta coisa à mistura!

Maria disse...

É preciso viver numa realidade muito à parte para se fazer comentários destes.