quinta-feira, 10 de junho de 2010

Vou ficar conhecida como a cota que ficava com as bolas

Começam os dias de sol, sente-se o cheiro a férias no ar, e começa o meu inferno em casa. A esplanada do café de bairro que há ao lado do meu prédio enche-se de gente com crianças que, ao invés de olharem por elas e de as manterem sossegadas, dão-lhes uma bola de futebol para as mãos e ala que se faz tarde para a praceta que há à frente do meu prédio, mesmo por baixo da minha varanda.

A história seria muito bonita se as criancinhas tivessem bolinhas de esponja e tivessem menos de três anos, mas acontece que as bolas são de futebol e as criancinhas já têm nove ou dez anos. E então vá de chutar contra paredes, contra portas, contra janelas, contra carros, contra tudo, com a desculpa de que estão a jogar futebol, e os pais numa alegre galhofa a beberem o seu cafezinho e a fumarem o seu cigarro. E eu na minha casa (no primeiro andar) a tentar abster-me, em vão, do barulho que é ter uma bola sempre a bater nas paredes do prédio.

Como eu não sou dada a escandaleiras - limito-me a ir à varanda e a dizer aos meninos para chutarem com menos força (escusado será dizer que eles mal me ouvem ) - tenho o meu truque que é ficar com as bolas que vêm parar à varanda. E são algumas. Eles depois tocam à campainha, mas eu, que também sou torta, não lhes abro a porta. Por vezes estão tempos e tempos a tocar, mas eu não abro. Pronto, abri uma ou duas vezes, mas porque estiveram para aí uma hora a tocar e conseguiram vencer-me pelo cansaço.

Hoje ao final da tarde, entre chuvadas, aconteceu o mesmo. O loirinho, que é um puto perfeitamente irritante e insubordinado, andava com uma criancinha de dois anos a chutar como se não houvesse amanhã. Eu já estava irritada porque já tinha batido na porta do prédio, mas mais irritada fiquei quando bateu na porta da minha varanda (felizmente tinha a persiana puxada para baixo, caso contrário teria partido o vidro) e fez um grande estrondo. Ele foi esconder-se, como sempre, porque sabe que eu, estando em casa, vou sempre dar-lhe um ralhete. Mas eu esperei que ele voltasse, e abri a porta da varanda de repente. Disse-lhe o que digo sempre e disse-lhe que não lhe dava a bola que entretanto tinha caído na varanda. Ele também não teve coragem de a pedir.

Foi então que apareceu o pai da criancinha de dois anos a dizer que a bola era dela, mas que não tinha sido a sua filha que a tinha atirado. Eu disse-lhe que estava farta daquilo, ele calou-se, eu fechei de repente a porta da varanda e já ninguém me viu.

Mal eu acabei de entrar em casa, começou a campainha. Primeiro a de baixo. Tocou tanto, tanto, que a minha vizinha do esquerdo lhe abriu a porta. Depois subiu e começou a tocar novamente, e eu a fazer-me de bruxa má. Até que começa a bater mesmo à porta e a gritar - abra a porta, eu sei que está aí, eu quero a bola da minha filha, ela não tem culpa. E, pronto, lá tive eu de lhe dar a bola.

Qualquer dia faço como um senhor que havia ao lado da escola onde eu fiz o primeiro ciclo que cortava todas as bolas que iam parar ao seu quintal.

28 comentários:

Cereja disse...

Tenho uma sugestão melhor, balões de água...

Graça disse...

E eu a pensar que talvez alinhasses numa troca de apartamento com cama dupla no quarto dos hóspedes, tv, net, electrodomésticos (tudo muito asseado e limpinho que cá sou rapariga de nariz delicado) para umas férias Madeira, mas agora acho melhor não. Aqui onde vivo, a 5 minutos do centro do Funchal, não há cafés nem praças nem vizinhos barulhentos. É uma sorte eu sei.
Mas eu sei o que isso é. Em casa dos meus pais era a mesma história :(

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Catarina disse...

Eh pah que cena. Sabes o que eu faria? Cortava as bolas todas, se viessem reclamar dirias... "Olhe a bola entrou na MINHA varanda o meu cão apanhou-a e rebentou-a. Tome lá".

Não tenho paciência para putos mal educados e pais ainda mais mal educados!

Catarina disse...

Cortar as bolas não é solução, afinal nós, mesmo que não jogássemos à bola, em algum momento incomodamos os vizinhos. Mas percebo, sei que é irritante. Também tenho o mesmo problema, e não só com bolas. Ás vezes é com aquelas motas de criança que fazem um barulho insuportável. outras vezes os miúdos a tentar tocar flauta (mais parecem vuvuzelas... brrrrrr)!

Conclusão, é frustrante estarmos a querer aproveitar o nosso feriado e ser-mos importunados por algumas coisas. Eu tenho por hábito ou meter os phones nos ouvidos e voilá... o som perturbador fica lá no fundo. Sobretudo se for música clássica. Às vezes são os próprios miúdos que se afastam da janela para não ter que ouvir a música.

Quanto aos pais... bem, quem sai aos seus não degenera. Se a filha não tinha culpa, ele perdeu toda a razão a importunar de forma agressiva. Onde estão os valores desta gente? Ás vezes acho que os pais ainda são pior do que os filhos. Não custava muito irem dar um passeio com os filhos em vez de ficarem à espera de uma bola que os entretenha.

Trintão disse...

Isto faz-me lembrar tempos muito muito antigos :P

L'Enfant Terrible disse...

Pois a criança mal comportada não tem culpa do pai não lhe dar educação em casa!

Alex disse...

Ah, aposto que só cortavas uma ou duas vezes e que eles deixavam de fazer isso!!! eu nao olhava para trás... bj

Daniel Monferrato disse...

Não haverá por aí por casa uns penicos?

Subitamente, poderia dar-te a vontade de os despejar...

Luisa Corte Real disse...

Como te entendo!Tu com as bolas e eu com as vuvuzelas que são tocadas por um puto irritante num andar acima do meu!
Quer dizer, quero descansar um pouco e não tenho a minima hipotese!Aquilo é tocado de manha á noite!
Hoje em dia não há civismo, os pais ainda são piores que as crianças, não dão educação nem ensinam o que significa a palavra respeito!
Enfim...

Ana Torrado disse...

Na minha opinião cortar as bolas não será a melhor solução. É, efectivamente, irritante e perturbador o facto destes quase adolescentes irem para as ruas atirar com as bolas de futebol para tudo o que é sítio. Eu também sei o que é querer estar a estudar (ou a tentar) e não parar de ouvir os berros das crianças entusiasmadas com as bolas a serem atiradas contra as paredes com bruta força.

Mas se formos a pensar bem... o que é que estes jovens destes tempos podem fazer. Vivem na cidade. Têm poucas hipóteses de se divertirem de modo natural. Podem ficar enfiados em casa ligados ao mundo virtual e falar com os seus amigos via msn. Ou... por outro lado instalados no sofá a ver as suas séries, filmes. Ou, ainda, jogar com as últimas aquisições que os pais lhes ofereceram. Na rua sempre distraem. Sempre convivem um pouco mais. Apesar de, neste, caso acabarem por distrair também os outros.
Mas sempre é melhor isto que acabarem por outros caminhos, não?
Ninguém disse que viver em comunidade era fácil.Assistimos diariamente a uma falta de respeito constante. As pessoas fervem em pouca água. Infelizmente os mais novos aprendem com o que vêem.
Era muito mais fácil a convivência em família. Uns fins-de-semana passados no campo, ao ar livre. Juntamente com os avós ou com outros familiares. Talvez, assim, a vida fosse mais fácil e, consequentemente, mais simples, menos stressante.

A culpa... na minha opinião, e como bem referes... ou dás a entender é dos pais. Que preferem desligar-se mais dos filhos e distraírem-se a eles próprios na amena galhofa.

Todavia, há excepções. E ainda bem.

César disse...

Bem sei que este conselho não lhe vai servir,nem se faz,mas aqui fica:
Há uns anos havia também um café em frente à casa do Padre cá da vila,e nós vinhamos para a rua fumar o cigarrinho e conversar,sentados mesmo à beira da porta de sua exa.
Ele resolveu pôr água a ferver por baixo da porta e acabou-se as chatices.Só de pensar,o rabo ainda me arde.

A miuda dos saltos altos disse...

Neste momento o pior são os miudos com as vuvuzelas! Insuportável!

Ana C. disse...

Então e um balde de, como dizer isto sem soar a asneira, hmmmm, um balde de merda despejado na cabeça deles?
Eu vivi 3 anos num prédio com um café por baixo, onde estava escrito com letras garrafais: Não jogar à bola, não andar de patins, nem bicicleta. Pensas que os pais das crianças ligavam ao aviso?
Era de enlouquecer.

Ana disse...

Isto só visto!... Mas esse pai não se toca? Por amor da Santa...
E se deixasses água a cair da varanda?
Como se a tivesses estado a lavar! Mas com muita água!
;)

rosaamarela disse...

Moro numa moradia que "pega" com um condominio, cujas casas de rés do chão tem pátio, cuando as bolas caem no meu jardim vão todas para o lixo, mesmo mesmo em cima da janela do meu quarto tenho "AGORA" uma vuvuzela, pena que não caía no meu jardim...

BOM DIA!

Rubi disse...

Tens toda a razao, era o que faltava. Por essas e por outras e' que ja' pensei que o melhor mesmo e' viver no ultimo andar. Beijinhos

prada disse...

Não entres em guerra, porque com esses pais, não vais longe!!
Se a casa não é tua vai pensando em mudar e se é, pensa a mesma coisa.
Era o que eu faria,porque para mim o silêncio é de ouro!!!
Bem sei que estás habituada á balburdia das crianças, mas que diabo não ter sossego na nossa casa é demais!

Antonio Branco disse...

é uma situação chata... levamos o tempo a dizer que os putos se enfiam em casa nos pcs e gameboys... mas as alternativas que têm, por vezes são poucas. ou ganhas paciência e vais mantendo a janela fechada. ou chamas a polícia de cada vez que um jogo começa. afinal de contas é proibido andar à bolada aos bens dos outros...

Trintão disse...

Alguém falou em "cortar as bolas"? LOL Cuidado com a língua! :P Pobres crianças! :D

Precis Almana disse...

Ah e tal os putos não têm onde brincar. Então não têm? Não faltam por aí jardins. O da Estrela é bem fixe. É os papázinhos disporem-se a ir para lá com as crianças.
Eu tenho uma sina parecida: na praceta para onde dá o meu prédio há um espaço pequenino de futebol (de 5?) ao lado de uma escola primária . É com chão, não é relvado, mas aos fins-de-semana há sempre jovens a jogar. É frequente eu acordar com eles às 9 ao fim-de-semana... Porque embora eu more num 10º andar, isto faz eco e é muito chato...

Precis Almana disse...

Ah e tal os putos não têm onde brincar. Então não têm? Não faltam por aí jardins. O da Estrela é bem fixe. É os papázinhos disporem-se a ir para lá com as crianças.
Eu tenho uma sina parecida: na praceta para onde dá o meu prédio há um espaço pequenino de futebol (de 5?) ao lado de uma escola primária . É com chão, não é relvado, mas aos fins-de-semana há sempre jovens a jogar. É frequente eu acordar com eles às 9 ao fim-de-semana... Porque embora eu more num 10º andar, isto faz eco e é muito chato...

Isabel disse...

Como eu a compreendo e lhe sei dar o valor, acontece precisamente a mesma coisa onde eu moro, com a agravante de o café ser por baixo da minha casa, não dá para imaginar, desde bolas, barulho, gritos, charros.... tenho direito a tudo como na farmácia....

Pinkk Candy disse...

no outro dia andava eu nas compras com o meu bebé no carrinho, e ao passar por um corredor, estavam dois putos, para aí com 10 anos, a jogar à bola, e zás ia levando com a bola na cabeça, que me passou mesmo de raspão.
e o pai que estava ali, só disse tenham cuidado, e os putos continuaram. os culpados? os putos? não, o pai é que devia ter de imediato tirado a bola aos filhos e bla bla bla, proibi-los de jogarem à bola num corredor de um hipermercado.

Mi disse...

Ao menos que te aparecesse um pai solteiro todo jeitoso!
kiss

Teté disse...

Como já aqui muita gente sugeriu, água com eles. Já experimentei e resultou! Quanto a esse paizinho, que direito tem ele de te estar a bater a porta de casa? Eu tinha chamado a polícia.

Lena disse...

Na minha praceta há falta de lugares de estacionamento. Quando já não sobra nem um, é comum estacionar em cima de um passeio. Eu faço isso muitas vezes mas os vizinhos do 1º e os do 8º muito mais do que eu. Há duas semanas discuti pela enésima vez com o meu vizinho do 4º por causa da musica altissima que ele ouve. Ele disse que eu estaciono o carro em cima do passeio. Eu pedi desculpas e argumentei que não era a única. Ele disse que só o meu carro é que o incomóda, quando é o de algum vizinho não faz mal. Há gente muito estúpida e sem noção nenhuma de espaço individual e espaço colectivo.

CalmaMuitaCalma disse...

E então, vamos brincar onde? Só quando se tem uma cria é que nos fazemos perguntas destas. E por vezes as respostas são difíceis. Jogar, sim, mas tentar não incomodar as pessoas. Pelo menos, não de propósito, porque por vezes é inevitável...

Amoreca disse...

Filhos e pais mal educados é do pior que há!
Não devolvas nada e se tornarem a bater dessa forma bronca à porta, chama a polícia. Isso é invasão de privacidade. Não se trata de guerra, mas de firmeza.