domingo, 20 de junho de 2010

Saramago e Pilar



Aos 63 anos, “quando já não se espera nada”, encontrou “o que faltava para passar a ter tudo” – Pilar. Jornalista, Pilar del Rio chegara de Sevilha a Lisboa para fazer o percurso de Ricardo Reis, tal como descrito magistralmente pelo escritor, em O Ano da Morte de Ricardo Reis. Nada de bizarro: na semana a seguir, uma irmã e o marido fariam o mesmo; uns dias antes, tinham-no feito uns amigos. E a peregrinação prosseguiria, durante muito tempo, no seu círculo de amigos.

O café que tomaram em Lisboa e um novo encontro meses depois em Sevilha, por iniciativa de Saramago, que viajou de camioneta até lá, mudou a vida a ambos. Casaram em Lisboa, em Outubro de 1988. Ele em vésperas de fazer 66 anos, ela com 36; ambos com um casamento oficial anterior. Nunca mais deixaram de andar juntos.

“Se tivesse morrido aos 63 anos, antes de a conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora”, disse Saramago um dia, numa das várias muito belas declarações públicas de amor a Pilar.

Adelino Gomes, no Público

14 comentários:

Mi disse...

Um amor inspirador.
kiss

romantikscent disse...

É comovente a frase dele dedicada a Pilar! O amor surge mesmo, não só em lugares estranhos, mas em momentos inesperados, quando já se espera pouco da vida. É, de facto, uma bela história de amor!

Meu Ego disse...

Gosto das declarações que ele lhe fazia.

Cumprimentos.

Precis Almana disse...

E agora ela tem 61 - se as contas estiverem bem - e ainda está muito a tempo de encontrar um amor como quando ele a encontrou a ela.

aespumadosdias disse...

Eram 1 bonito casal.

hierra disse...

é uma daquelas histórias bonitas que nos fazem acreditar que o amor vale a pena..aliás é espantoso o sorriso sereno com que ela assiste às cerimonias funebres..achei lindo :)

A miuda dos saltos altos disse...

Adorei!

The Closet disse...

Tenho que confessar que nunca fui admiradora dele no entanto sempre admirei o amor deles. Sincero e sem limites :)*

flor disse...

Apesar de mais velho, ele tinha um ar jovial ao pé dela.
Quando a conheceu, quis reproduzir esse momento, marcando a hora em todos os seus relógios! Lindo. Pelo menos morreu feliz apesar de ter sido apanhado pela doença!

pds_ferreira disse...

Acho que essa frase é de uma grandeosidade enorme, e que demonstra que grandes amores ainda são possiveis.

Pedro Ferreira

GATA disse...

Pronto, ainda há esperança para mim... se viver até aos 63 anos (o que duvido)!!!

rosaamarela disse...

Há mts anos li o "Levantados do Chão" nasci no Alentejo, e embora tendo sempre vivido numa cidade nos arredores de Lisboa, a "minha realidade" na infância era o Alentejo, fiquei AGARRADA, depois vieram todos os outros...

Eterneceu-me o seu (deles) amor tardio.

chu disse...

O grande amor de Saramago foi Isabel da Nóbrega, uma Senhora. E foi graças a ela que ele ganhou o Nóbel, foi graças a ela que ele foi o escritor em que se tornou. Era com ela que ele queria estar (casado).

Pilar foi a companhia para a velhice dele. Foi uma troca de interesses, onde todos ficaram a ganhar (normalmente paga-se a para fazer este serviço).

Nada de confundir amor com amizade/companheirismo que também e muito bonito, mas não é a mesma coisa...

O Homem Ridículo disse...

Lindissimo =)

Aproveito para deixar uma outra frase de Saramago que dedicou a Pilar no livro "As Pequenas Memórias":

"A Pilar, que ainda não havia nascido e tanto tardou a chegar."