terça-feira, 22 de junho de 2010

Emprego ou amor?

Houve pessoas espantadas pelo facto de no post abaixo eu preferir escolher um emprego a um grande amor. Isto pode parecer estúpido para alguns, mas é realmente o que eu sinto. Não quer dizer que o amor não seja importante, é, muito, mas, sinceramente, já estive tanto tempo sem ele e nunca andei por aí a chorar pelos cantos, muito pelo contrário. Afinal de contas, tenho sempre uma vida tão preenchida, tenho o amor de tanta gente, que vivo muito bem sem um namorado. Claro que - volto a repetir - estaria melhor com um grande amor, isso sem dúvida, mas não acho que morresse sem ele (como nunca morri até hoje nas tantas e tantas vezes que estive sem ele).

Já sem um emprego, a coisa mudaria de figura. Levantar-me da cama e não ter para onde ir (não estou a falar de estar de férias), era coisa para me fazer completamente infeliz e de me fazer entrar numa verdadeira depressão, daquelas sem fim. Se calhar para os outros é indiferente. Para mim, não. Acho que as duas coisas piores na vida são não ter saúde e não ter emprego.

Por isso, e talvez por não viver às custas de ninguém (moro sozinha, pago as minhas contas sozinha, não vivo às custas dos pais nem do marido), um emprego, que me dê a estabilidade que eu preciso, é fundamental na minha vida.

22 comentários:

Roxanne disse...

eu entendo te! aliás... faz imensa logica aquilo que disseste!

Capitão Microondas disse...

Fui uma delas e assumo considerar uma resposta descabida (estúpida é muito forte embora não tenha pejo em afirmar que quem o diz não sabe o que está a dizer).

E complemento-o: é que certamente quem assim responde assume, inclusive, que o amor se fina no amor romântico. E o amor amigo? E o amor familiar? No fundo todas as pessoas que amamos e que por isso são importantes para nós, seja uma mulher, um homem, vários de cada um, filhos, pais e amigos? Isso é tudo menos importante que um trabalho.

Não tenho pejo algum em afirmar que se me derem a escolher: prefiro nunca vir a ganhar muito, nunca vir a receber estatuetas de latão, ter um emprego que me dê para simplesmente viver com dignidade e ter digamos que 50% de felicidade nestas várias vertentes do amor.

Porque vos asseguro, de experiência própria, que quando estiverem a bater a bota, se o destino vos der a oportunidade disso mesmo, não é da merda do emprego, da carreira e dos diplomas que se vão lembrar e se julgam isso estão muito enganados. Mas sei que não são poucos, e isso vê-se nas respostas ao post. Queremos enganar-nos a nós próprios até porque convenhamos: é muito mais fácil ter uma carreira de sucesso do que lidarmos com sucesso com o que realmente faz a diferença na vida.

Ps - confesso ter alguma curiosidade com o que vai suceder à minha geração daqui a uns 20 anos vá. Cheira-me que vai haver muita gente desesperada e fodida consigo própria daqui a duas décadas. Mas se calhar estou a ser pessimista.

Kitty Fane disse...

Microondas, quando quem me fez a pergunta pôs aquela opção, não estava a referir-se ao amor da família, do pai e mãe, dos filhos, dos amigos, estava a referir-se a um namorado /um marido. E foi tendo em conta isso que eu respondo.

Obviamente que se me dissessem que teria de escolher entre o amor da minha família, dos meus amigos e afins, e um emprego, aí escolheria o amor.

Percebes?

a mulher certa disse...

Vida sem amor? Vida com um bom emprego? No way!

Helena Barreta disse...

Assino por baixo. Concordo.

Causa-me alguma espécie, pessoas saudáveis, com uma cabeça pensante e dois braços para trabalhar, viverem dependentes de terceiros. Mas isso digo eu, que também acho que o trabalho dignifica.

Um beijinho

Silvia disse...

Aqui afirmo mais uma vez, indo ao encontro do que disse o Capitão, que mais nada levamos desta vida. Que fazem depois da vida quando vier a reforma? Quando acabar aquilo que vos é mais importante? Não censuro. São modos de estar diferentes e ainda bem que os há, mas que é de nós sem a partilha de um amor? Vivemos sem ele? Claro que vivemos, mas a vida é tão melhor com ele! E não digo isto iludida. Já levei os meus pontapés. Mas andamos cá (também) para isso. E eu antes quero morrer com o coração cheio, ainda que com os bolsos vazios.

Miss.Purple disse...

Estou totalmente de acordo com as tuas palavras.

Faz de Conta disse...

Se pudermos ter os dois, melhor ainda :)

chu disse...

Há sete anos deixei o meu emprego, de sucesso (e de vocação), para seguir um grande amor. Fi-lo e não me arrependo. Empregos há muitos, um grande amor, assim, como o meu, só tive um, só conheço um.

E a questão não é não ter emprego, é não ser tão bem sucedida, que são coisas diferentes. Ninguém falou em não ter emprego.

Porque não te assumes? És materialista e egoísta, e pronto, ninguém tem nada a ver com isso. Ainda bem que as pessoas não são todas iguais, caso contrário, seria um enjoo.

Precis Almana disse...

Óbvio que era o amor romântico, percebi muito bem.
Quanto ao resto, o que é um bom emprego também tem muito que se lhe diga. Eu tenho um bom emprego no sentido de que adoro o que faço, faço-o com gosto e quase não sinto que esteja a trabalhar. Sou bem sucedida nesse sentido, até tomo muitas decisões quanto ao que faço, tenho um cargo com alguma responsabilidade, etc. Ganhar? Ganho mal e porcamente. Portanto, até o "bom emprego" tem muitíssimo que se lhe diga...

Girls Next Door disse...

Exactamente Kitty Fane, a questão assentava no amor de um namorado de um marido. Era o mundo do emprego perfeito vs amor de filme, nunca outro tipo de amor, porque na vida real geralmente é isso que acontece. Pessoa extremamente bem sucedidas que em trabalho estao sempre ocupadas e fora do habitat e que acabam por lesar a vida pessoal.
Ou pessoas que vivem um grande amor mas no trabalho estao aquem ou nem o têm por optarem estar com quem amam.
Depois há as outras pessoas, que tem o melhor destes dois mundos! E certamente o rabinho virado para a lua... que isto é uma questao de muita sorte junta!
***

O Espelho de Patita disse...

Concordo plenamente contigo apesar de achar que tenho um grande amor e simultaneamente um emprego que não adorando, gosto e permite-me os meus luxos.
Mas há escolhas e escolhas. Neste momento, existe a perspectiva de deixar tudo e seguir o meu amor. Eu concordei, mas com uma unica exigência: um emprego que me satisfaça.

bjs

Cristina disse...

Microondas, respondendo à tua questão, daqui a 20 anos não vão faltar pessoas da nossa geração a dar tiros na cabeça acredita...

Su disse...

eu estou desempregada há quase 10 meses, depois de já ter tido um emprego fantástico. neste momento, estou perdidamente apaixonada. é uma relação muito recente, mas ele é maravilhoso e já deu provas de gostar de mim mesmo a sério, tal como eu gosto dele. estou na fase de ver corações em todo o lado...
mas apesar disso não sou feliz. cada vez que penso que não tenho emprego, me vêm as lágrimas aos olhos.
por mais feliz que esteja no amor (e estou), ele não me completa como sempre completou uma carreira profissional. em caso de duvida, sempre um emprego.

Allie disse...

Aos 20 anos, a vida resumia-se na conquista de um grande amor. "Só serei feliz quando me apaixonar." O mal é que me apaixonei e "desapaixonei" umas quantas vezes para perceber que os amores mais importantes na vida são os que nunca acabam: família e amigos.

Penso que a pergunta não significava abandonar um grande amor pela carreira, mas perante 2 possibilidades (poder viver um grande amor ou assegurar uma carreira), escolher aquela que fzesse mais sentido na nossa vida. Se me dessem a oportunidade de ir para a Austrália (país onde adoraria viver), com emprego garantido, mas ter de abandonar o meu namorado, nesta altura do campeonato diria que não. Os nossos planos de vida já se cruzam. No entanto, se fosse no início da relação, mesmo estando muito interessada nele, pensaria bem e pesaria muito bem os prós e os contras.

Realmente, não levamos nada desta vida, mas nada nesta vida é garantido. E tanto podia escolher a carreira, correr bem, encontrar alguém e ser feliz, como podia ficar o resto da vida a pensar no tal amor que tinha bandonado. Mas, também podia ter ficado com o grande amor e este não durar assim tanto. E depois, nem coração nem tostão. Se a nossa vida fosse um filme, era mais fácil de escolher.

Destination disse...

"é muito mais fácil ter uma carreira de sucesso do que lidarmos com sucesso com o que realmente faz a diferença na vida."

Bem verdade...

alexandra disse...

Cada vez mais acho, que um Amor para a vida é como o Euromilhões, todos ambicionam mas pouquissimos são os afortunados.

romantikscent disse...

Sem dúvida, um emprego dá sanidade mental, realização pessoal e, logo, saúde! Um grande amor só dá dores de cabeça, logo, não traz saúde!

êne u êne ó disse...

O sucesso na vida profissional versus a felicidade na vida amorosa.

OU se quiserem e sendo simplista: O Eu vencedor vs. O Nós vencedores.

A opção profissão é a egoista. A opção amorosa é altruista.

ou ainda:
A nossa dependência por alguém é uma coisa lixada (mesmo que seja a conquista da felicidade!)

Loira disse...

Já estive sem as duas coisas, mais do que uma vez. E posso dizer à boca cheia antes não ter emprego do que não ter o meu grande amor. Acho q só deste essa resposta pq ainda não encontraste a metade da tua laranja. Eu daria a mesma, há uns anos atrás... e até já tinha tido relações duradouras.

Loira disse...

E, sim, sem dúvida... optaria sempre pelo amor em detrimento da realização profissional. Porque a tua profissão pode ser segura, mas a minha não é... já estive na mó de cima e já estive na mó de baixo. Os empregos, as carreiras, são mto mais efémeras q o verdadeiro amor. No final da vida, espero não estar sozinha.

Martini Bianco disse...

Totalmente de acordo, e louvo as mulheres que também pensam dessa maneira. És sem duvida uma dualidade em muitas coisas. Uma feminista exacerbada em algumas, uma machista em outras, e depois surgem estas reflexões livres de sexismos. Bravo.