quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Esclarecimento

Eu quando escrevi o post anterior não me estava a referir a uma mulher louca que aos trinta e nove anos quer muito ser mãe e que, como nunca mais se apaixona, vai de conhecer um qualquer, e, sem lhe dizer nada, vá de engravidar à força toda. Não, isso é outra história. Isso é completamente condenável.

Eu não me estava a referir a uma situação extrema dessas. Eu estava a referir-me a uma situação muito frequente mas sobre a qual as pessoas preferem não falar directamente, preferindo contar a outra versão da história, preferindo acreditar na outra versão da história. Pessoas que chegam a uma determinada idade e que vêem cada vez mais remota a possibilidade de encontrarem a pessoa que sempre procuraram para ser mãe ou pai e que depois até dão de caras com uma pessoa decente mas que não amam e até decidem assumir uma relação, muitas vezes apenas para concretizar esse desejo. Juntando o útil ao agradável. Eu conheço tantas. E vocês também devem conhecer. Mas como as pessoas não são parvas, não andam a gritar aos sete ventos que o fizeram.

Eu não condeno isto de forma nenhuma. Se a pessoa quer muito ter uma família, porque não tentar? Se a pessoa quer muito ser mãe é porque tem condições e amor suficiente para o fazer. Às tantas até corre melhor do que com outros que namoraram vinte anos e que neste momento estão de costas voltadas, estando um deles a ver o filho ao sábado durante cinco horas de quinze em quinze dias. Isso para mim, lamento, mas não é ser pai ou mãe. Não me venham com histórias.

É óbvio que o ideal são as duas pessoas que se amam terem o filho como fruto desse amor e estarem juntos até que a morte os separe. Sim, obviamente. Não há dúvida que uma criança precisa de uma mãe e de um pai. Mas isso, infelizmente, nem sempre acontece. E desde que as pessoas saibam o que estão a fazer e, acima de tudo, se respeitem mutuamente, não vejo qual o problema.

24 comentários:

prada disse...

De preferência fazer uma boa escolha de genes, já agora!

Anônimo disse...

Nem precisavas de explicar porque todos conhecemos alguém assim.

Teresa disse...

A verdade é que muito poucas crianças vêm ao mundo nas condições ideais, a mais conhecida de todas vai fazer este ano 2009 anos que nasceu. Vêm apenas nas condições possíveis.

Eu própria passei por isso, a minha filha que não chegou a nascer teria agora dez anos, quase onze. Uma história muito complicada de uma relação que se degrada a um ritmo galopante, e desce a níveis impensáveis. Eu sabia que já não queria a relação, mas queria a filha. Deus decidiu de outra maneira e, apesar o muito que sofri com a perda, do tempo que foi preciso para aceitar, hoje acho que foi melhor assim. Já não terei filhos, passou o tempo. Não é um drama, longe disso, há muito que me reconciliei com a ideia.

O que questiono agora são as motivações egoístas que podem estar por trás do desejo de ter um filho. Para que nos complete o instinto maternal? (nem todas as mulheres o têm) Para preencher um vazio qualquer? Para tentar remendar uma relação a desmoronar-se? (a maior asneira de todas) Para tentar segurar um homem? (a segunda maior, eu costumo chamar-lhe chantagem uterina, e é velha como o mundo)Para ter uma sensação de continuidade, de estar a perpetuar a nossa passagem pelo mundo?

E a criança? Qual é verdadeiramente o papel dela no meio disto tudo? E é o mais importante. Acho eu, pronto.

Miss Mau Feitio disse...

Olha eu tenho tudo e continuo a achar que não é a altura certa..acho que há um momento pra tudo. Aproveitar mais um pouco com o meu R. mas é... :)

Maria disse...

Olha eu...depois de conhecer tantos gajos com IMENSA QUIMICA que nao prestavam para nada, conheci um que É BOA PESSOA, É GIRO E BOM, e a quem aprendi a amar MAS EM QUEM posso confiar. E foi um bocado por causa disso, porque essa coisa do AMOR LOUCO é mesmo so isso É LOUCO. Depois de tantas experiencias com gajos de merda, acho que nao é de censurar por esse desejo de paixao encandescente em troca de algo que pode ser muito bom...

Mas enfim tambem nao sei...tambem me pergunto se é isso que quero...

Anne disse...

sem dúvida que, nesse caso, não é nada condenável. há pessoas que têm muito amor para dar ms simplesmente não encontram a pessoa certa para partilha-lo. o que acho é que aí a honestidade tem de ser uma constante, tanto se a mulher decidir ter o filho com um amigo mais próximo com a mesma vontade, seja o de a mulher recorrer a um banco de esperma. e quanto aos efeitos de ser cirado só por um pai isso é relativo. o meu companheiro foi criado apenas pela mãe e é uma das pessoas mais fantásticas que já conheci, com uma integridade que nunca vi.
á muitas crianças que têm os dois pais presentes não têm uma vida estável.

Precis Almana disse...

Porque é que a situação do primeiro parágrafo é condenável? Prejudica alguém?

Kitty Fane disse...

Precis, para fazer isso, então mais vale ir a um banco de esperma, que assim não se engana ninguém.

R* disse...

Sinceramente acho preferível acontecer algo como isso do que casais em que só um ama, em que só um é louco pela outra pessoa capaz de aguentar as piores coisas para estar ao seu lado. Uma relação deve ser composta de amor mas quando a idade avança torna se complicado acreditar em certas coisas e sendo assim recorrems a amizade... Não sei se será uma má opcção. O que interessa é que sejam felizes... De uma maneira ou outra..

I. disse...

Com franqueza, entre a opção que referes, arranjar um dador em pessoa (e enganado) ou ir a um banco de esperma, eu preferia... a adopção. Sempre pensei assim, que se um dia calhasse acordar o meu instinto maternal e não tivesse um companheiro ao meu lado, iria ao Instituto de Apoio à Criança à procura do/a meu/minha Filho/a.

Não condeno nem julgo quem opta por outras soluções, cada um sabe qual é a melhor para si. Não acho bem instrumentalizar um homem só para reprodução, mas adiante.

Agora o importante, mesmo importante, é querer-se muito esse/a filho/a e dar-lhe todo o amor que merece.

Precis Almana disse...

Enganar como?
É pouco provável que uma mulher engravide em primeiros encontros com desconhecidos, pelo menos se for consciente e cuidadosa, porque usará preservativo. Mas se engravidar... quantos homens engravidam mulheres e desaparecem? Já toda a gente só encolhe ombros com isso...Mas a mulher fazer o mesmo - no fundo, usar esperma - já é condenável. Não é essa a minha.

Kitty Fane disse...

Não acho que toda a gente encolha os ombros por um homem fugir de uma mulher se esta engravida. Da mesma forma que isso é condenável, também acho condenável que uma mulher se aproveite do esperma do homem para engravidar sem lhe dar cavaco. Penso que se trata mais de uma questão de respeito do que outra coisa. Mas isso sou eu. Eu nunca seria capaz de fazer uma coisa dessas. Porque conseguiria o meu objectivo, mas a minha consciência nunca andaria tranquila.

Anônimo disse...

E também há homens que querem muito ser pais e utilizam a companheira para esse efeito, sem sequer gostarem dela o suficiente. Tenho um caso bem pertinho de mim desse género. Diz o fulano que "foi o melhorzinho que conseguiu arranjar, mas que não é a mulher que ele desejava"... BAH!! Vai ser mãe do filho dele caramba!!!

Claudia

fafiaes disse...

Sim, o leiteiro já fez isso, pelo menos, umas cinco vezes. Só foi ultrapassado pelo audaz carteiro que usa sempre o truque da carta registada.

Precis Almana disse...

Eu também não o faria (nunca, não sei, pelo menos com o que penso agora). Mas isso não quer dizer que condeno quem faça, há situações e situações a serem analisadas caso a caso. À partida, não condeno, não me parece que saia alguém prejudicado com isso. Aliás, em geral não condeno nem julgo em abstracto situação alguma.

Anônimo disse...

Respeito mas não compreendo. Não compreendo porque sou uma mulher com muito pouco instinto maternal e incapaz de passar a minha vida ao lado de uma pessoa que goste mais ou menos. Já é dificil ao lado de quem se ama muito imagino ao lado de quem se gosta assim assim. conheço um casal em especifico que está junto por uma série de conveniente e acho muito triste, há qualquer coisa ali que soa muito a falso e é triste as pessoas embarcarem nessas mentiras... Mas estas questões do amor são muito complexas, não serei eu a pessoa mais acertada para as esmiuçar. :)

Maria

InêsN disse...

numa situação dessas também julgo que a melhor opção é mesmo a adopção...

(isto se a criancinha não for apenas um meio para prolongar a própria existência ou outras balelas do género, claro)

Bernardo disse...

Porque é que é condenável numa mulher aos 39 que quer muito ser mãe, conhece alguém por quem não se apaixona e realiza o seu desejo e não é condenável em "pessoas que chegam a uma determinada idade e que vêem cada vez mais remota a possibilidade de encontrarem a pessoa que sempre procuraram para ser mãe ou pai e que depois até dão de caras com uma pessoa decente mas que não amam e até decidem assumir uma relação, muitas vezes apenas para concretizar esse desejo. Juntando o útil ao agradável"???
Só vejo uma diferença: no 1º exemplo a mulher tem 39 anos, no 2º exemplo tem "uma determinada idade"...

Não se deve condenar nenhuma mulher que queira muito ser mãe. De moralismos baratos está este blog cheio. Compreendo se não publicar este comentário mas achei este (e outros) post(s) um verdadeiro disparate. Felizmente nem todos são assim...

Kitty Fane disse...

A única diferença menino Bernardo (q até nem se chama Bernardo, pois é uma menina), é que no primeiro caso a pessoa conhece um qualquer num acto de desespero e vá de engravidar sem lhe dizer nada e no segundo, pondera tudo muito bem ponderado, não é um qualquer, não é uma pessoa que apareceu do nada e até assumem juntos uma relação.

Se o menino bernardo, que até é uma menina mas que prefere assinar como Bernardo, lesse bem os posts evitava esse tipo de comentários completamente desnecessários.

Só o publiquei, porque hoje até estou bem disposta. Aproveite.

art.soul disse...

na minha opinião, não é se melhor pai/mãe porque se teve o filho aos 38, como não se é pior pai/mãe se estivermos divorciados.
acho que o amor por um filho ultrapassa o estado civil que está escrito no B.I.
daí ser incondicional.
as simple as that.

art.soul disse...

e para se ser mãe, como para a tomada de muitas outras decisões, não há momentos ideais.

River disse...

Porque raio fazes tantos posts a justificar os anteriores?...

Já agora, posso enviar um mail para fazer uma pergunta?

obrigada

Capitão Microondas disse...

Ser bom pai ou boa mãe não é uma questão de quantidade, é de qualidade. Existem pais de "15 em 15 dias" fantásticos, embora obviamente para o serem não podem participar da vida do filho apenas de 15 em 15 dias.

Antes bons pais separados do que maus pais juntos, e sobretudo à guerra.

Quanto ao esclarecimento eu por mim já o tinha percebido mas reitero a minha opção: acho condenável apenas se a escolha do parceiro não tiver em conta, primordialmente, a sua disponibilidade e vontade igual em ser pai, pois o filho vai sempre precisar disso, quer a mãe queira quer não. E existem certamente homens interessados em ser pais não necessariamente interessados em casar com quem lhes propoe algo assim.

Kitty Fane disse...

Claro, River. Força.