Se eu estivesse fora do ensino, se eu não conhecesse de perto o nível de dificuldade dos exames nacionais, se eu não conhecesse os seus rigorosos critérios de correção, se eu não conhecesse inúmeros miúdos que têm médias de dezanove e de vinte, tremendamente inteligentes e empenhados, que leem imenso, que escrevem lindamente, que põem muito doutorado a um canto, e que, com todo o esforço e toda a dedicação, dificilmente tiram notas superiores a quinze nos exames (como é que alunos medianos e fracos não hão-de tirar negativa?), também me espantava com a miséria de médias dos exames nacionais e também apelidava toda esta geração de burra e preguiçosa. Como isso não acontece, fico apenas incrédula com o facto de equipas que não conhecem a realidade das escolas, dos alunos e, muitas vezes, dos programas, continuarem a insistir em fazer enunciados ridículos. Isso, sim, é uma vergonha.